Hidrelétrica de Belo Monte

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Globonews – Espaço Aberto

Edição 15/04/2010 – Publicado em 16/04/2010 – 10h02

Licitação da hidrelétrica de Belo Monto gera polêmica

Entrevistados analisam o projeto da usina.

O leilão da licitação de Belo Monte é motivo de polêmica entre ambientalistas e governo. Será Belo Monte a única alternativa de construção de uma nova hidrelétrica? Quais serão os abalos na região?

Assita o Vídeo aqui.

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http://colunas.globoamazonia.com/isa/2010/04/23/o-primeiro-empate-de-belo-monte/

O primeiro empate de Belo Monte

sex, 23/04/10
por ISA

Por Beto Ricardo/ISA

Índios Kayapó. Foto: Vincent Carelli/ISA, 1989Índios Kayapó. Foto: Vincent Carelli/ISA, 1989

Em outubro de 1988 viajei a aldeia Gorotire, a convite dos Kayapó, para uma conversa sobre o projeto hidrelétrico que o governo queria implementar na Volta Grande do rio Xingu.

De Redenção (PA) até lá voei num monomotor dos próprios Kayapó, acompanhado pelo cinegrafista Murilo Santos, com uma câmera super-vhs. Nós dois trabalhávamos para um programa de apoio aos povos indígenas do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação), uma associação civil de inspiração democrática criada nos anos 1970. Aos poucos o colegiado de líderes kayapó foi se formando na Casa dos Homens, no centro da aldeia, sob a coordenação de Paiakã. O pequeno avião fazia “pernas” para buscá-los nas várias outras aldeias espalhadas pelo sul do Pará e norte do Mato Grosso.

Ultimato
As perguntas que não queriam calar eram as seguintes: o que é o projeto hidrelétrico da Volta Grande do Xingu? Quais os impactos sobre o rio e os nossos territórios e aldeias, e por que o governo não nos consultou?

Diante da precariedade das informações disponíveis publicamente sobre o projeto e a soberba das autoridades em não atender aos pedidos de explicação por parte dos índios e tratar do assunto somente com a Funai, os Kayapó partiram para um ultimato: escrever uma carta dirigida a autoridades federais solicitando informações e tratativas, mas estipulando um prazo. Caso o governo não respondesse, uma grande manifestação seria realizada em Altamira no início de 1989. Eu datilografei essa carta que foi assinada pelas várias lideranças e, posteriormente, protocolada nos Ministérios afins e na Eletornorte.

Lideranças Kayapó assinam convite às autoridades do Governo Federal e outros setores da sociedade para o Encontro de Altamira. Foto: Beto Ricardo/ISA, 1988Lideranças Kayapó assinam convite às autoridades do Governo Federal e outros setores da sociedade para o Encontro de Altamira. Foto: Beto Ricardo/ISA, 1988

Baridjumoko em Altamira
Zero de retorno. O prazo dado pelos Kayapó venceu. Com isso, a decisão de rumar para Altamira passou a ser implementada, como parte do ciclo ritual tradicional que leva à festa do milho (baridjumoko), tão bem manejado pelas lideranças intermediárias, com o apoio dos velhos e o ânimo da rapaziada.

Em dezembro um fato imprevisto viria amplificar enormemente a manifestação Kayapó em Altamira. Às vespéras do natal, o líder seringueiro Chico Mendes foi assassinado no quintal da sua casa em Xapuri, interior do Acre, tão distante, tão perto dali.

Em janeiro de 1989 um grupo de jovens guerreiros kayapó construiu uma aldeia cenográfica numa chácara emprestada pela igreja católica, localizada na periferia de Altamira. Aos poucos foram chegando muitos kayapó, incluindo mulheres e crianças. Para a manifestação os velhos escolheram o ginásio de esportes, no centro da cidade.

Encontro em Altamira. Foto: Murilo Santos/ISA, 1989Encontro em Altamira. Foto: Murilo Santos/ISA, 1989

Repercussão planetária
Durante vários dias esse evento foi um dos centros das atenções no mundo. Nunca se havia visto tantos jornalistas juntos na cobertura de um evento no Brasil. Voos fretados despencavam diretamente do exterior. Políticos, celebridades nacionais e internacionais, ativistas de várias origens, oportunistas de diferentes calibres.

O Encontro de Altamira – cuja memória ainda está submersa – foi um ponto de convergência entre movimentos sociais e ambientalistas. Tornou-se uma referência para o processo que levou à fundação do ISA (em abril de 1994) e um ícone da perspectiva socioambiental que hoje, mais e mais, se espalha pelo país e mundo afora. A imagem do gesto de advertência de Tuíra, encostando o lado da lâmina do seu terçado no rosto do então diretor da Eletronorte ganhou as primeiras páginas dos jornais e correu o mundo.

Memória
E nós estávamos lá, antes, durante e depois do encontro, apoiando os Kayapó em toda a organização e condução do evento. Documentamos todo esse processo, razão pela qual agora pudemos recuperar dos arquivos uma amostra mínima para compor esse vídeo-memória Xingu, a luta dos povos pelo rio.

O ISA bota no ar esse vídeo num momento decisivo.

O leilão da obra acaba de ser feito e revela enormes inconsistências técnicas e econômicas, que vieram se somar àquelas referentes aos impactos socioambientais, configurando uma operação de alto risco.

Obsessão do presidente Lula e da sua pré-candidata Dilma Roussef, paira sob a maior obra de engenharia do PAC e do mundo a suspeita de açodamento motivado pela agenda eleitoral, num país em que as grandes empreiteiras são, tradicionalmente, as maiores financiadoras de campanhas políticas.

Mas construir Belo Monte não é inevitável.
Já foi possível empatar Belo Monte uma vez, por que não outra vez?
A sociedade bem informada e mobilizada pode pesar no rumo dessa história, que promete ainda muitos capítulos.

Desenvolvimento, sim! De qualquer jeito, não!

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http://blog.planalto.gov.br/criticas-a-belo-monte-ignoram-avancos-feitos-no-projeto-original/

Quinta-feira, 22 de abril de 2010 às 14:57

Críticas a Belo Monte ignoram avanços feitos no projeto original

A maior parte das críticas que a usina Belo Monte recebe hoje estão baseadas no antigo projeto, ignorando-se os muitos avanços feitos para minimizar os impactos da sua construção no rio Xingu, no Pará. A avaliação é do presidente Lula, que explicou isso inclusive para as lideranças indígenas com as quais se reuniu na última segunda-feira (19/4) na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Lula disse ainda que levaria o assunto para a reunião da Comissão Nacional de Política Indígena (CNPI) que será realizada em maio em Brasília.


(vídeo institucional sobre a usina Belo Monte)

O grande problema, diz o presidente, é que muitos criticam Belo Monte baseando-se no projeto antigo, sem saber que há melhorias significativas, como a redução de 60% na área ocupada pelo reservatório da usina (o lago previsto hoje é de 516 quilômetros quadrados). Além da área a ser inundada ser bem menor, o novo projeto também prevê a preservação das terras indígenas Arara da Volta Grande, Xingu e Paquiçamba, que antes seriam atingidas pela formação do lado da hidrelétrica. Há também a previsão de realocação de mais de 16 mil pessoas (4.362 famílias), que hoje vivem em palafitas nos igarapés de Altamira (PA). Outras 2.822 pessoas (824 famílias) serão reassentadas em área rural.

Após o leilão de terça-feira (20/4) da licença para a construção da usina Belo Monte, o ministro Marcio Zimmermann (Minas e Energia) concedeu entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde tirou algumas dúvidas sobre o assunto:

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Comentário:

Assunto bem complicado.

Esse é um daqueles assuntos em que é muito difícil se tomar posição sem entender minimamente os detalhes técnicos envolvidos e a história do processo. Ambos os lados alegam que estudos técnicos corroboram suas posições.

Como não entendo muito sobre assunto, apenas deixo minhas impressões.

No debate da Globonews, me pareceu que o Maurício Tolmasquim conseguiu rebater os argumentos do Carlos Vainer, enquanto este não conseguiu fazer o mesmo.

No texto do ISA, acho que a ideia de que a vontade do governo de fazer Belo Monte se deve ao lobby das empreiteras é um argumento meio ingênuo e não muito convincente, até porque as principais empreiteras se retiraram do leilão.

A grande questão que fica como dúvida é: o impacto sobre o rio será realmente tão grande assim? E o impacto sobre as comunidades?

Essa última questão me pareceu respondida pelo governo, tanto é que o Vainer não bateu mais nela.

Sobre o rio é que não deu para saber.

O que me parece é que, para podermos manter os níveis de crescimento desejados e, portanto, o desenvolvimento do país, é necessário que se invista pesado em infraestrutura, especialmente em energia.

Sendo assim, as hidrelétricas possuem uma vantagem, por serem fontes renováveis de energia, que não poluem nem contribuem para o aquecimento global.

É claro que energia solar e eólica seria melhor, mas, até onde eu sei, elas são bem mais caras.

É importante notar que, justamente por causa dos movimentos sociais ambientalistas, o governo fez grandes alterações no projeto de das hidrelétricas na Amazônia, como vemos em Belo Monte. Inclusive o governo investiu em tecnologia para criar o conceito de Usinas-Plataforma, como já postei aqui.

Portanto, é importante essa pressão sobre o governo para que ele continue investindo em tecnologias que tornem as fontes renováveis e limpas de energia cada vez mais baratas e eficientes.

O grande problema é que o governo não pode realizar esses projetos sem estabelecer um diálogo real com as comunidades afetadas, consultando-as antes, considerando suas preocupações para fazerem o projeto, e, principalmente, garantido que essas comunidades realmente se beneficiem do desenvolvimento que virá com o projeto.

No caso específico de Belo Monte, não sei se isso ocorreu. Os opositores dizem que não e o governo diz que sim, como podemos ver pelas matérias acima.

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2 Responses to Hidrelétrica de Belo Monte

  1. fabio ribeiro santana disse:

    acho que tem que ser construida sim, pois os proprios indios desmatão vemde terrase madeira, são feito muita coisa erada com a natureza e sem proveito nenhum. a hidro é desenvolvimento pra todos.

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