PM lamenta morte de motoboy em SP e diz que convocará reunião

Mais um caso de atuação lamentável da Polícia de São Paulo.

Parece que agora todos estão descobrindo que a polícia tortura, espanca e mata, em especial jovens negros, pobres e moradores da periferia, ou da favela.

_____________________________

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u733026.shtml

10/05/2010 – 19h01

PM lamenta morte de motoboy em SP e diz que convocará reunião

// JULIANNA GRANJEIA

colaboração para a Folha

O porta-voz da Polícia Militar de São Paulo, capitão Marcel Lacerda Soffner, afirmou que a corporação lamenta a morte do motoboy Alexandre Menezes dos Santos, 25, espancado na madrugada de sábado (8) após abordagem de policiais, e disse que haverá uma reunião, em breve, com todos os oficiais superiores da PM do Estado. Quatro policiais foram presos e os comandantes do Batalhão, afastados.

Governador diz que ação é “deplorável”; mãe diz ter visto agressão
Governo afasta comandantes dos PMs suspeitos de matar motoboy
PMs suspeitos de matar motoboy em SP pagaram fiança
PM prende quatro policiais suspeitos da morte de motoboy
Secretário de Segurança acompanha investigação de denúncias
Comandante da PM de SP manda carta com pedido de desculpa
Após prisão de PMs, comandante geral defende direitos humanos
PMs detidos em SP negam envolvimento em morte de motoboy

Em entrevista à Folha, na tarde desta segunda-feira, Soffner disse que a prisão dos quatro PMs envolvidos no caso já foi uma providência tomada pela instituição. “Nós lamentamos profundamente a morte do Alexandre, mas só lamentar não adianta. O flagrante por si só já é uma resposta, mas, além de tomar uma providência em um caso pontual, vamos fazer uma reunião com todos os oficiais superiores do Estado para discutir esses fatos”, afirmou o porta-voz.

Soffner disse que foi aberto um inquérito policial militar e um processo administrativo disciplinar. O comando de policiamento da área da região sul é o responsável pela investigação do caso. “Eles foram ouvidos pela autoridade policial militar, mas não tenho acesso ao que eles alegaram em defesa. A Justiça Militar é mais rígida, eles permanecem presos e não há possibilidade de fiança”, afirmou o porta-voz.

Segundo o capitão, uma arma foi apreendida pela Polícia Civil no dia do crime, mas ainda não é possível afirmar se ela seria do motoboy.

Sobre o afastamento do tenente-coronel Gerson Lima de Miranda, do 22º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, e do capitão Alexander Gomes Bento, da 3ª Companhia do 22º Batalhão, comandantes da área de trabalho dos PMs envolvidos, Soffner disse que a PM respeita a decisão da Secretaria de Segurança Pública. “Diante da gravidade, há necessidade de medidas enérgicas”.

O capitão evitou comparações com a morte do motoboy Eduardo Luis dos Santos, 30, no dia 10 de abril, também após uma abordagem de PMs. “São situações distintas, embora o resultado tenha sido o mesmo. Na primeira situação, há indícios de prática de tortura em um local isolado. Houve uma infeliz coincidência dos dois serem da mesma categoria profissional e isso não quer dizer que a PM tenha alguma deliberação contra motoboy”, disse Soffner.

Para o capitão, há indícios de que não houve intenção dos policiais de matar. “Isso também vai ser apurado. Nós temos, no Estado inteiro, 15 mil atendimentos por dia, isso não justifica que haja mortes em atendimentos da PM e que atuação esteja ruim, mas há necessidade de rever isso”, afirmou o porta-voz da PM.

Crime

Segundo nota divulgada pela PM, os policiais avistaram, durante patrulhamento na região da Vila Marari (zona sul de SP) na madrugada de sábado (8), uma motocicleta transitando sem placa e na contramão.

O motoboy não teria obedecido ao pedido de parada e fugiu. Ele foi abordado na rua Guiomar Branco da Silva –em frente a sua casa– e, após resistência, os policiais aplicaram uma gravata para imobilizar Santos.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, como a vítima se livrou da imobilização, os policiais aplicaram o golpe novamente, quando Santos teria perdido os sentidos. Os PMs levaram o motoboy para o hospital, mas ele não resistiu.

Os quatro policiais militares envolvidos no caso foram encaminhados ao 43º DP (Cidade Ademar), mas pagaram fiança de R$ 480, cada um, e foram liberados. No entanto, eles foram presos pela PM no dia do crime, por “uso excessivo de força física” e permanecem no presídio militar Romão Gomes. Os nomes não foram informados.

Na tarde desta segunda-feira, o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, afastou os comandantes da área de trabalho dos policiais suspeitos.

O governador Alberto Goldman (PSDB) disse que vai apurar o crime. “Vamos apurar profundamente quais são as razões para que isso aconteça pela segunda vez, um fato tão deplorável, que nos deixa absolutamente constrangidos e revoltados”, afirmou.

Outro caso

No dia 10 de abril, outro motoboy também foi morto após ser abordado por policiais militares. Na noite de 9 de abril, Eduardo Luís Pinheiro dos Santos,30, havia sido detido com outras três pessoas pelos policiais que foram atender uma ocorrência de furto de bicicleta na esquina da rua Maria Curupaiti com a avenida Casa Verde (zona norte de São Paulo). Segundo a corregedoria da PM, os suspeitos foram levados para o batalhão da PM ao invés de irem para a delegacia.

No mesmo dia, por volta da meia-noite, a vítima foi encontrada caída no chão por outros policiais na esquina da rua Voluntários da Pátria com a avenida Brás Leme, também na zona norte. O homem foi levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos.

Os nove policiais militares suspeitos de envolvimento na tortura e assassinato do motoboy negaram ter cometido o crime. Nos depoimentos prestados à Corregedoria da PM, todos disseram que a vítima foi morta depois que deixou as dependências da 1ª companhia do 9º batalhão, localizado no bairro Casa Verde.

O secretário de segurança pública Antônio Ferreira Pinto determinou que as polícias Militar e Civil façam a mais rigorosa apuração dos fatos na esfera administrativa e penal. Ferreira Pinto também declarou que não tem dúvidas de que a morte do motoboy foi resultado das torturas que ele sofreu de policiais militares.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: