A Candidatura de José Serra (PSDB)

Nem tenho muito o que falar sobre o Serra.

José Serra tem uma obsessão desde os anos 60: ser presidente do Brasil. No exílio no Chile ele já passava as noites em claro lendo com o objetivo de se preparar para ser presidente. Era um economista de esquerda e desenvolvimentista. No PSDB sempre teve que engolir o sapo de ter que ficar na sombra do Fernando Henrique, que se tornou o principal líder do partido. Quando FHC saiu, finalmente tinha chegado sua hora. Mas então, Lula acabou com seu sonho e o derrotou. Em 2006, como sabia que o Lula seria reeleito, deixou o Alckmin se queimar sozinho. Este ano era sua última e maior oportunidade de realizar seu sonho. Felizmente, não seu certo.

Independente da questão de se ele ainda é desenvolvimentista ou não, o fato é que sua candidatura representava um projeto político neoliberal. De esquerda ele com certeza não é. É só ver as políticas dele no governo do Estado de São Paulo em relação à população mais pobre e aos movimentos sociais. O PSDB representa o neoliberalismo no Brasil (como pode ser comprovado analisando-se o governo FHC) e, junto com o PFL (ou DEM), representam tudo que há de mais conservador e retrógrado no país.

A campanha do Serra foi, desde o início, muito mal organizada.

Para começar, teve a forte disputa interna com o Aécio. Serra não confirmou sua candidatura, talvez achando que o PSDB não tinha chances e esperando pra ver se conseguie queimar o Aécio, como fez com o Alckmin em 2006. Mas o Aécio foi mais esperto e declarou que não seria candidato, obrigando o Serra a assumir sua candidatura.

Depois veio o processo patético de escolha do vice. O Serra tinha escolhido o Álvaro Dias, como parte de uma negociação para que seu irmão apoiasse o candidato tucano ao governo do Paraná, mas o PFL (ou DEM) não aceitou e atrasou a programação de convenção nacional, esperando que seus líderes negociassem, aos 47min do segundo tempo, com os tucanos, até que, enfim, decidiram pelo Índio da Costa. No fim, o Osmar Dias ainda apoiou a Dilma.

Tendo isso em consideração, a campanha eleitoral deste ano foi talvez a mais suja no Brasil desde, pelo menos, a de 89.

O primeiro fator a ser levado em conta é a atuação da mídia. Como era de se esperar, a grande mídia atuou de forma complementar à campanha do Serra, defendendo escancaradamente o candidato. Neste ponto é importante ressaltar um avanço que ocorreu nesta campanha: o jornal O Estado de São Paulo declarou abertamente seu apoio ao candidato Serra. Considero isso um avanço, pois no Brasil a grande mídia tem medo de se posicionar claramente nas eleições, preferindo vender uma imagem falsa de neutralidade. Nos EUA e na Europa, é comum que os grandes meios de comunicação se posicionem abertamente em todas as eleições. Porém, a atuação em geral da grande mídia brasileira foi marcada pela manipulação em favor do Serra, escondida sob a máscara de neutralidade. O principal papel da mídia foi na criação e na propagação de escândalos de corrupção, que nem sempre eram tão sólidos assim.

Os dois maiores desses “escândalos” foram o da quebra do sigilo da filha do Serra na Receita Federal e o caso Erenice Guerra na Casa Civil. O primeiro foi ligado à disputa entre o Aécio e o Serra (Ler aqui e aqui). O segundo foi absolutamente inventado (ler aqui).

O “escândalo” da Erenice, inventado, teve influência para que a eleição fosse pro segundo turno.

Mas a grande mídia já tinha percebido que, por mais que ela se esforçasse, o Serra não subia muito mais de seus cerca de 30% de votos nas pesquisas. Então começaram a inflar a candidatura da Marina Silva, para levar ao segundo turno. E, além disso, em algum lugar meio escondido, houve uma decisão para mobilizar setores das igrejas evangélicas para espalharem mentiras acerca da posição da Dilma quanto ao aborto.

Pela primeira vez no debate político nacional no Brasil, os temas morais e religiosos do aborto e do casamento gay se tornaram temas centrais no debate político, com um viés totalmente conservador.

Foi assim que a eleição foi pro segundo turno. Em uma semana, houve o arrefecimento da questão do aborto, inclusive com a denúncia de que a mulher do Serra, figura central na campanha de difamação da Dilma, já tinha realizado aborto. Logo depois, surgiu o escândalo do Paulo Preto, um caso de corrupção ligado diretamente ao PSDB de São Paulo e sobre o qual Serra disse não ter conhecimento. Com isso, esses dois temas foram deixados de lado e o posicionamento dos candidatos em relação a questões mais importantes pro país, como as privatizações, o Pré-Sal e a questão agrária puderam ficar mais claras. A antiga tentativa tucana de privatização da Petrobras foi relembrada e renovada na declaração de assessores importantes de Serra defendendo a privatização do Pré-Sal. O posicionamento duro de Serra contra o MST também foi explicitado.

A partir daí, foi só alegria. Serra perdeu por 12 milhões de votos, para deixar claro que o povo brasileiro não queria a volta do falido neoliberalismo.

Serra ainda teve um fim meio melancólico, com um péssimo discurso de despedida e ainda foi pra França ser vaiado em um discurso contra o governo Lula.

Seguem alguns materiais para ilustrar.

Os dois primeiros são sobre a confusão da escolha do Vice.

Os terceiro é uma fala do Índio da Costa sobre o Pronasci que explicita bem como eles pensam a questão da segurança pública.

O quarto é o editorial do Estadão explicitando apoio ao Serra.

O quinto são dois vídeos que mostram bem a diferença de tratamento das notícias entre a Globo e a Record.

O sexto é uma ótima declaração do Lembo, que já virou meu ídolo desde a entrevista após os ataques do PCC, sobre o que faltou para o Serra ganhar as eleições.

O sétimo é sobre o caso da quebra do sigilo.

O oitavo deixa claro todo o caráter conservador da candidatura do Serra.

Os dois seguintes são sobre a questão do aborto.

O décimo-primeiro é sobre o esquema do Paulo Preto.

Os três seguintes explicitam o projeto privatizante do PSDB.

O seguinte é um vídeo de um debate entre a Soninha e o Emídio, Prefeito de Osasco pelo PT, em que ela fica descontrolada e defende cegamente a campanha do Serra.

Por fim, uma entrevista com o Ferreira Gullar que, para mim, explicita todo o ódio e o preconceito que a nossa elite sente pelo Governo Lula. Ele fala tanta besteira que é até difícil de acreditar.

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http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4517528-EI15315,00-PSDB+oferece+vice+de+Serra+a+Alvaro+Dias+para+segurar+Osmar.html

PSDB oferece vice de Serra a Álvaro Dias para segurar Osmar

23 de junho de 2010 – 14h25 – atualizado às 19h31

MARCELA ROCHA

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), ligou nesta quarta-feira (23) para o colega e correligionário Álvaro Dias (PR) e avisou que, caso seu irmão Osmar Dias (PDT-PR) aceite o acordo de concorrer ao Senado na chapa do ex-prefeito de Curitiba Beto Richa, as lideranças tucanas tentarão convencer o DEM a conceder a vaga de vice do presidenciável José Serra a ele, Álvaro Dias. Osmar Dias é o nome indicado por sua atual legenda para disputar o governo do Paraná na chapa com PMDB e PT. A decisão precisa ser tomada até amanhã, pouco antes da convenção do PDT neste final de semana, quando deve anunciar sua candidatura.

Os petistas e peemedebistas apresentaram uma contraproposta a Osmar Dias: o governador Orlando Pessuti (PMDB) admitiu retirar sua candidatura e ceder a cadeira ao pedetista, atendendo a conselhos do presidente Lula e da candidata petista Dilma Rousseff, interessados em fortalecer os palanques no Sul do País. Osmar, no entanto, passa a bola aos tucanos e pede a garantia de vice para seu irmão antes que a sua decisão por concorrer ao governo, ou não, seja tomada.

O senador consultou sua direção partidária sobre a possível aliança com o PSDB, sinalizando aos tucanos que desejava realizar a coligação. Já aos petistas, Osmar dizia querer Gleise Hoffmann (PT), mulher do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, como sua candidata a vice. E o PT quer Hoffmann no Senado.

Guerra já se reuniu nesta quarta com o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). Segundo Álvaro Dias, “a questão da vice está sendo equacionada por Serra e PSDB, em conjunto com aliados. Não cabe a ninguém advogar em causa própria”. O senador paranaense confirma a ligação de Guerra e oportunamente avisa que será muito difícil não apoiar seu irmão caso ele seja candidato ao governo. Osmar resiste à ideia de abandonar a aliança com PMDB e PT sem a garantia de que Álvaro assumirá a vice de Serra.

O PSDB tenta driblar o DEM e construir uma chapa puro sangue. Guerra, que também já foi cotado para o posto, chegou a recomendar que Álvaro Dias fosse ao lançamento da candidatura de Geraldo Alckmin para o governo de São Paulo neste domingo (13) para “marcar presença ao lado de Serra”.

Os tucanos já não esperam por uma aliança com o PP que optou pela neutralidade nacional e afastou assim a possibilidade de colocar o senador Francisco Dornelles (RJ) na vice de Serra. O ex-governador de São Paulo tem declarado que definirá um nome para acompanhá-lo na corrida ao Planalto até o dia 30 deste mês. E o DEM tem reivindicado publicamente a vaga desde quando o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves enterrou a possibilidade de assumir o posto.

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http://oglobo.globo.com/pais/mat/2010/06/30/indio-da-costa-do-dem-sera-vice-de-serra-no-lugar-de-alvaro-dias-na-chapa-do-psdb-917022491.asp

ELEIÇÕES 2010

Indio da Costa, do DEM, será vice de Serra no lugar de Álvaro Dias na chapa do PSDB

Publicada em 30/06/2010 às 16h39m

Flávio Freire, Gerson Camarotti e Adriana Vasconcelos – O GloboReuters

Índio da Costa - Ailton de Freitas / Arquivo

BRASÍLIA – Após três meses de intensa negociação e a menos de 24 horas do fim do prazo para a escolha, DEM e PSDB decidiram lançar nesta quarta-feira o deputado Indio da Costa (DEM-RJ) como vice na chapa de José Serra à Presidência, no lugar do senador tucano Álvaro Dias (PR) . A indicação do deputado foi aprovada, por aclamação, durante convenção nacional do DEM, que manteve a coligação com o PSDB para as eleições de outubro.( Veja o perfil do deputado Indio da Costa )

A escolha surpreendeu tucanos que participaram, desde terça-feira, das três últimas reuniões com integrantes do DEM, em São Paulo. Após bater o martelo com Serra, o próprio presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, admitiu que o nome de Indio da Costa nunca havia sido cogitado para o posto.

– Foi um nome que se construiu ao longo das últimas horas, primeiro com diálogo com o (ex-governador mineiro) Aécio Neves, depois com o nosso candidato a presidente, até que chegamos ao nome dele. É uma escolha muito boa e os partidos (DEM e PSDB) fecharam integralmente – disse Maia, ao sair da casa do presidenciável, no Alto de Pinheiros, em São Paulo.

Rodrigo Maia lembrou que Indio da Costa foi relator do projeto Ficha Limpa, é um político jovem e tem atuação destacada no Congresso. Nascido em 1970, foi vereador por três mandatos no Rio de Janeiro e está na sua primeira gestão como deputado federal. Ele foi ainda secretário municipal de Administração na gestão de Cesar Maia (DEM).

– O nome de Indio da Costa agrega votos e qualidade à chapa – acrescentou Rodrigo Maia.

O nome de Indio da Costa foi lançado pelos democratas na noite de terça-feira, durante encontro do grupo na casa do prefeito paulista, Gilberto Kassab, também do DEM. Horas antes, durante encontro com tucanos no Hotel Emiliano, onde estava também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o DEM teria dado um ultimato – sem lançar qualquer nome – ao partido de Serra, garantindo que ou o vice seria dos quadros da legenda ou eles estariam fora da coligação. Com isso, a campanha do tucano perderia pouco mais de dois minutos de exposição no rádio e na TV.

Aos correligionários, Serra teria tentado ainda forçar a manutenção do nome do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para o posto, mas fora demovido diante da convicção de caciques tucanos sobre o prejuízo que a candidatura sofreria com a redução do tempo de propaganda no horário eleitoral gratuito. Serra teria insistido, com argumento de que teme o uso, pelos adversários, do escândalo sobre o mensalão de Brasília, que terminou na prisão do ex-governador do Distrito Federal (DEM), José Roberto Arruda.

– É só mostrar o vídeo do Arruda com aquele monte de dinheiro que minha campanha vai sofrer abalos – teria dito o tucano a dirigentes do partido.

A cúpula, no entanto, preferiu apostar que o PT não deverá usar tal munição, pois a elaboração de um suposto dossiê teria deixado a campanha da ex-ministra Dilma Rousseff com o telhado de vidro.

Para DEM, crise com o PSDB está encerrada

Diante do recuo do PSDB, o clima foi de alívio entre os democratas, quecomemoraram a escolha de Índio da Costa . Para ACM Neto (DEM-BA), a crise entre os dois partidos está encerrada.

– A crise está solucionada. Foram criadas condições favoráveis para que todos entrem em campo para a vitória de Serra. É natural na política esse tipo de crise enquanto a campanha não tem início. Agora, quando começa o campeonato o time tem que estar afinado – declarou.

A crise entre os dois partidos começou quando o PSDB avisou ao PTB que escolhera Dias antes de comunicar ao DEM. O presidente do PTB, deputado cassado Roberto Jefferson, anunciou o nome no Twitter , irritando os democratas.

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http://www.estadao.com.br/noticias/geral,editorial-o-mal-a-evitar,615255,0.htm

Editorial: O mal a evitar

25 de setembro de 2010 | 17h 02

A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside. E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, oEstado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder. É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir. O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso. E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?” Este é o mal a evitar.

Texto publicado na seção “Notas e Informações” da edição de 26/09/2010

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http://noticias.r7.com/videos/serra-se-diz-um-ambientalista-convicto-/idmedia/f6f3a8b5dcfd94a637998fdad661eb33.html

http://g1.globo.com/videos/jornal-nacional/v/jose-serra-visita-moradores-da-zona-leste-de-sao-paulo/1351066/#/Edi%C3%A7%C3%B5es/20101005/page/2

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http://mais.uol.com.br/view/1575mnadmj5c/serra-ganharia-se-telefonasse-menos-as-redacoes-diz-lembo-04021A3072DCC923E6?types=A&

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http://www.cartacapital.com.br/politica/amaury-ribeiro-jr-e-o-glossario-da-privatizacao

Amaury Ribeiro Jr. e o glossário da privatização

Redação Carta Capital

26 de outubro de 2010 às 14:53h

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. Foto: Ed Ferreira 

Mais indícios de que as quebras de sigilo têm a ver com a apuração do jornalista
Na segunda-feira 25, após seu novo depoimento na sede da Polícia Federal em Brasília, o quarto desde que veio a público o caso da quebra do sigilo fiscal de tucanos e parentes do candidato José Serra, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. distribuiu aos colegas de profissão uma carta e documentos que baseiam seu livro sobre os escândalos das privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. CartaCapital chama a atenção para dois trechos importantes da carta: citações a depósitos em uma conta de Ricardo Sérgio de Oliveira feitas por Gregório Marin Preciado e Carlos Jereissati.

Breve curriculum dos personagens:

Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do Banco do Brasil à época da privatização do sistema Telebrás. Personagem recorrente no escândalo da privatização da telefonia, é dele a memorável frase “no limite da irresponsabilidade”. Oliveira era um dos encarregados de apoiar a formação dos consórcios da privatização. Havia uma guerra particular entre a turma do banqueiro Daniel Dantas e o grupo de Carlos Jereissati, irmão do senador Tasso Jereissati. Carlos venceu a queda-de-braço e ficou com a Telemar, hoje Oi. Essa guerra intestina está na base das escutas ilegais que levaram à explosão do escândalo do vazamento das “fitas do BNDES”.

Carlos Jereissati, empresário, classificado como integrantes da “rataiada” que queria se locupletar na privatização da Telebrás. Quem cunhou o termo foi Luiz Carlos Mendonça de Barros, então presidente do BNDES. Mendonça de Barros, pelo que indicam os grampos, trabalhava para favorecer a Telecom Italia e o banqueiro Daniel Dantas contra a “rataiada” de Jereissati.

Gregório Marin Preciado, casado com uma prima de José Serra, apontado como arrecadador de campanhas do tucano e envolvido em variadas de denúncia de corrupção.

Oliveira, Preciado e Mendonça de Barros tiveram seus sigilos fiscais devassados.

Como mostra Ribeiro Jr., o elo se fecha.

Leia abaixo a íntegra dos documentos repassados pelo jornalista.

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http://www1.folha.uol.com.br/poder/820774-em-convencao-da-assembleia-de-deus-serra-promete-vetar-lei-da-homofobia.shtml

26/10/2010 – 20h50

Em convenção da Assembleia de Deus, Serra promete vetar Lei da homofobia

JOSÉ MASCHIO
ENVIADO ESPECIAL A FOZ DO IGUAÇU (PR)

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, prometeu hoje em Foz do Iguaçu (PR) vetar a Lei da Homofobia, caso ela seja aprovada pelo Congresso.

Segundo Serra, o projeto, como foi aprovado na Câmara, pode tornar um crime “semelhante ao racismo” a pregação de pastores evangélicos contra a prática homossexual.

Ele prometeu o veto depois de ser inquirido sobre o assunto por um pastor presente à 50ª Convenção Anual das Igrejas Assembleias de Deus do Paraná. A proposta, aprovada na Câmara, ainda não foi votada no Senado.

“Uma coisa é grupos de extermínio, praticando violência contra homossexuais, como já ocorreu em São Paulo. Outra coisa é o projeto como está, que passa a perseguir as igrejas que combatem a prática homossexual”, afirmou.

Ele disse que, eleito, não terá dificuldades de fazer a maioria no Congresso, “sem barganhas” para evitar a aprovação da lei.

Convidado de honra dos evangélicos reunidos em Foz do Iguaçu (a 656 KM a oeste de Curitiba), Serra se comprometeu também a lutar contra pontos do Plano Nacional dos Direitos Humanos criticados pela Igreja.

Entre os temas estão a descriminalização do aborto, a união homossexual, a invasão de propriedades e questões relativas à liberdade religiosa.

Segundo o tucano, o Plano Nacional dos Direitos Humanos, “encaminhado por Dilma à sanção do presidente Lula”, criminaliza “quem é contra o aborto”.

Serra disse, a uma plateia estimada pelos organizadores em mais de mil pessoas, que o plano incentiva a invasão à propriedade, “não só ao imóvel rural, mas também a um apartamento”.

Questionado sobre a união homossexual, Serra, que havia defendido a união civil, recentemente, em São Paulo, preferiu lembrar que a tentativa de controle social da mídia pode levar a situações de interferência na liberdade religiosa dos brasileiros.

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http://www.cartacapital.com.br/politica/o-levante-das-amelias-pitbull

O levante das Amélias pitbull

Cynara Menezes

13 de outubro de 2010 às 17:57h

Weslian Roriz e Mônica Serra: lutando pelo direito das mulheres de serem só primeiras-damas. Por Cynara Menezes. Foto:Agência Brasil/Sérgio Lima/ Folhapress 

Em novembro de 1994, fui cobrir a participação de Ruth Cardoso, esposa do presidente eleito Fernando Henrique, no congresso da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), que até hoje acontece em Caxambu, Minas. Depois de flanar durante o dia por entre as mesas-redondas e palestras, dona Ruth sentou-se à beira da piscina do hotel, com seus amigos intelectuais, para fumar um cigarrinho e tomar um drinque. Ali vi que era o tipo de mulher a admirar: inteligente, independente, interessante. Eu nunca votaria no marido dela para nada, mas dona Ruth era a perfeita primeira-dama. Termo, que, coerentemente, odiava.
Sou uma espécie de especialista em primeiras-damas. Sempre que estive em Brasília cobrindo política, elas eram “minha área”. Fui a primeira jornalista do país a entrevistar Rosane Collor após a vitória em 1989, e depois da posse, em 1990. Collor foi substituído por Itamar Franco, que era divorciado. E então veio dona Ruth. Claro que a discreta antropóloga foi um sopro de civilidade diante da moça simplória, cuja característica mais marcante era combinar a bolsa com os sapatos. E que achava ser primeira-dama “bárbaro”. Com Lula chegou dona Marisa Letícia que, pena, optou por ser silenciosa. Mas, com exceção da estrela sem noção que quis pôr nos jardins do Alvorada, nada fez que pudesse me envergonhar como cidadã.

Dona Ruth foi de longe a mais completa das primeiras-damas, mas ainda assim era primeira-dama, não presidente. E vejam só. Agora que se desenha a possibilidade de termos finalmente uma mulher no cargo máximo da Nação, e não um apêndice – admirável ou não -, eis que duas integrantes do sexo feminino saem da sombra onde se achavam para colocar as brasileiras “no seu devido lugar”, com a mensagem subliminar de que não nascemos para presidir, e sim para sermos eternamente primeiras-damas. No máximo, vice-presidentes, cargo que Rita Camata topou ocupar ao lado de José Serra em 2002. Presidente, não. Se ser primeira-dama é tão bom, toda a glória e nenhum poder…
Não consigo ver diferenças profundas entre Weslian Roriz e Monica Serra. Deveria, pois enquanto a primeira é a típica mulher “do lar” da geração de nossas mães, a segunda esteve exilada com o marido no exterior, estudou em universidades norte-americanas, tem até doutorado. Do jeito que tem se posicionado, foi uma surpresa para mim descobrir isso – sinceramente, pensava que era apenas uma ex-bailarina e dona-de-casa. O caso da sra. Roriz é sem dúvida mais grave: ela quer se tornar governadora para continuar a ser primeira-dama! Já Monica quer ser primeira-dama, e basta. Alguém duvida, porém, que faria o mesmo pelo “Zé” se ele, por alguma razão, pedisse? Que se lançaria às feras de uma eleição, como Weslian, para agradar ao marido?

O tipo de fidelidade canina de Monica é idêntico ao da mulher de Roriz. Como Amélias pitbull, ambas são capazes de atacar quem quer que seja na defesa do macho da casa e da instituição familiar. Ambas se dizem católicas fervorosas. E ambas apelam para o aborto para tentar derrotar os adversários dos maridos. No debate do primeiro turno na Globo do Distrito Federal, a “doce” Weslian virou-se para Agnelo Queiroz, do PT, e, em vez de responder à pergunta que lhe foi feita, leu seu papelzinho: “Ah, o sr. é comunista, não acredita em Deus! Então, é a favor do aborto ou não?” Monica recebeu a incumbência, ao lado do vice Índio da Costa, de atiçar pastores e padres para que associem Dilma Rousseff a valores condenados pela igreja. Nas palavras da candidata a primeira-dama, Dilma “gosta de matar criancinhas”.

Tanto o comportamento da mulher-laranja, que ocupa o lugar do marido ficha-suja, como o da mulher que assume a estratégia mais rasteira da campanha para deixar a figura do esposo imaculada me parecem igualmente desprezíveis. Weslian e Monica encarnam a perfeita antítese dos quase 50 anos de movimento feminista no mundo. Quem diria? Em pleno século 21, após tantas lutas e conquistas, surgem do nada duas mulheres sem brilho próprio para impor, em Brasília e no Brasil, uma moral arcaica, retrógrada, em que aborto não é um problema de saúde pública, mas religioso.

E o pior, para insinuar que nosso papel deve continuar a ser subalterno, subserviente, que não estamos “preparadas” para sermos presidentes. Não é assim que fala a propaganda do maridão de Monica? O mais engraçado é que a ação delas se dá justamente diante da perspectiva de passarmos quatro (ou oito) anos sem ter primeira-dama alguma. É como se Weslian e Monica estivessem à frente de um levante de felizes e ferozes donas-de-casa preocupadas em salvaguardar a existência de um cargo por si – Ruth Cardoso tinha toda razão em abominar o termo – meio patético.

Somos iguais aos homens. Não somos maiores, mas não somos menores. Não nascemos para servir – embora, gentis, gostemos de servir. Não fomos feitas para nos submeter a tudo que os homens querem, nem os nossos homens. E não viemos ao mundo para sermos primeiras-damas resignadas em permanecer nos bastidores, na cozinha, ou, na melhor das hipóteses, servindo de peça de enfeite, ornando poderosos. Estamos, sim, preparadas para estar no comando do país.

A postura de Weslian Roriz e Monica Serra me causa indignação e estou segura que indignaria Ruth Cardoso, se fosse viva. Sobre o aborto, aliás, ela declarou em 1999, em entrevista no programa Roda Viva: “Eu acho que se deve garantir o direito às mulheres de usarem ou não essa possibilidade”. Não surpreende que pensasse assim. Dona Ruth não era nenhuma Amélia.

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http://correiodobrasil.com.br/monica-serra-ja-fez-um-aborto-e-sou-solidaria-a-sua-dor-afirma-ex-aluna-da-mulher-de-presidenciavel/185824/

“Monica Serra já fez um aborto e sou solidária à sua dor”, afirma ex-aluna da mulher de presidenciável

13/10/2010 12:39,  Por Redação, do Rio de Janeiro e São Paulo

Monica SerraSylvia Monica Serra foi professora de dança na Unicamp 

O desempenho do presidenciável tucano, José Serra, no debate do último domingo pela TV Bandeirantes, foi a gota d’água para uma eleitora brasileira. O silêncio do candidato diante da reclamação formulada pela adversária, Dilma Rousseff (PT) – de que fora acusada pela mulher dele, a ex-bailarina e psicoterapeuta Sylvia Monica Allende Serra, de “matar criancinhas” –, causou indignação em Sheila Canevacci Ribeiro, a ponto de levá-la até sua página em uma rede social, onde escreveu um desabafo que tende a abalar o argumento do postulante ao Palácio do Planalto acerca do tema que divide o país, no segundo turno das eleições. A coreógrafa Sheila Ribeiro relata, em um depoimento emocionado, que a ex-professora do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Monica Serra relatou às alunas da turma de 1992, em sala de aula, que foi levada a fazer um aborto “no quarto mês de gravidez”.

Em entrevista exclusiva ao Correio do Brasil, na noite desta segunda-feira, Sheila deixa claro que não era partidária de Dilma ou de Serra no primeiro turno: “Votei no Plínio (de Arruda Sampaio)”, declara. Da mesma forma, esclarece ser apenas uma eleitora, com cidadania brasileira e canadense, que repudiou o ambiente de hipocrisia conduzido pelo candidato da aliança de direita, ao criminalizar um procedimento cirúrgico a que milhões de brasileiras são levadas a realizar em algum momento da vida. Sheila, durante a entrevista, lembra que no Canadá este é um serviço prestado em clínicas e hospitais do Estado, como forma de evitar a morte das mulheres que precisam recorrer à medida “drástica e contundente”, como fez questão de frisar.

No texto, intitulado “Respeitemos a dor de Mônica Serra”, Sheila Ribeiro repete a pergunta de Dilma, que ficou sem resposta:

– Se uma mulher chega em um hospital doente, por ter feito um aborto clandestino, o Estado vai cuidar de sua saúde ou vai mandar prendê-la?

Leia o texto, na íntegra:

Respeitemos a dor de Mônica Serra

“Meu nome é Sheila Ribeiro e trabalho como artista no Brasil. Sou bailarina e ex-estudante da Unicamp onde fui aluna de Mônica Serra.

“Aqui venho deixar a minha indignação no posicionamento escorregadio de José Serra, que no debate de ontem (domingo), fazia perguntas com o intuito de fazer sua campanha na réplica, não dialogando em nenhum momento com a candidata Dilma Roussef.

“Achei impressionante que o candidato Serra evita tocar no assunto da descriminalização do aborto, evitando assim falar de saúde pública e de respeitar tantas mulheres, começando pela sua própria mulher. Sim, Mônica Serra já fez um aborto e sou solidária à sua dor.

“Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre o aborto, sobre o seu aborto traumático. Mônica Serra fez um aborto. Na época da ditadura, grávida de quatro meses, Mônica Serra decidiu abortar, pois que seu marido estava exilado e todos vivíamos uma situação instável. Aqui está a prova de que o aborto é uma situação terrível, triste, para a mulher e para o casal, e por isso não deve ser crime, pois tantas são as situações complexas que levam uma mulher a passar por essa situação difícil. Ninguém gosta de fazer um aborto, assim como o casal Serra imagino não ter gostado. A educação sobre a contracepção deve ser máxima para que evitemos essa dor para a mulher e para o Estado.

“Assim, repito a pergunta corajosa de minha presidente, Dilma Roussef, que enfrenta a saúde pública cara a cara com ela: se uma mulher chega em um hospital doente, por ter feito um aborto clandestino, o Estado vai cuidar de sua saúde ou vai mandar prendê-la?

“Nesse sentido, devemos prender Mônica Serra caso seu marido seja eleito presidente?

“Pelo Brasil solidário e transparente que quero, sem ameaças, sem desmerecimento da fala do outro, com diálogo e pelo respeito à dor calada de Mônica Serra,

“VOTO DILMA”, registra, em letras maiúsculas, no texto publicado em sua página no Facebook, nesta segunda-feira, às 10h24.

Reflexão

Diante da imediata repercussão de suas palavras, Sheila acrescentou em sua página um comentário no qual afirma ser favorável “à privacidade das pessoas”.

“Inclusive da minha. Quando uma pessoa é um personagem público, ela representa muitas coisas. Escrevi uma reflexão, depois de assistir a um debate televisivo onde a figura simbólica de Mõnica Serra surgiu. Ali uma incongruência: a pessoa que lutou na ditadura e que foi vítima de repressão como mulher (com evento trágico naquele caso, pois que nem sempre o aborto é trágico quando é legalizado e normalizado) versus a mulher que luta contra a descriminalização do aborto com as frases clássicas do “estão matando as criancinhas”. Quem a Mônica Serra estaria escolhendo ser enquanto pessoa simbólica? Se é que tem escolha – foi minha pergunta.

“Muitas pessoas públicas servem-se de suas histórias como bandeiras pelos direitos humanos ou, ainda, ficam quietas quando não querem usá-las. Por isso escrevi ‘respeitemos a dor’. Para mim é: respeitemos que muita gente já lutou pra que o voto existisse e que para que cada um pudesse votar, inclusive nulo; muita monica-serra-pessoa já sofreu no Brasil e em outros países na repressão para que outras mulheres pudessem escolher o que fazer com seus corpos e muitas monicas-serras simbólicas já impediram que o aborto fosse descriminalizado.

“Muitas pessoas já foram lapidadas em praça pública por adultério e muitas outras lutaram pra que a sexualidade de cada um seja algo de direito. A minha questão é: uma pessoa que é lapidada em praça pública não faz campanha pela lapidação, então respeitemos sua dor, algo está errado. Se uma pessoa pública conta em público que foi lapidada, que foi vítima, que foi torturada, que sofreu, por motivos de repressão, esse assunto deve ser respeitadíssimo.

“Vinte por cento da população fazem abortos e esses 20% tem o direito absoluto de ter sua privacidade, no entanto quando decidem mostrar-se publicamente não entendo que estes assimilem-se ao repressor”, acrescentou a ex-aluna de Monica Serra, que teria relatado a experiência, traumática, às alunas da turma de 1992.

Exílio e ditadura

Sheila diz ainda, em seu depoimento, que “muitas pessoas querem ‘explicações” para o fato de ela declarar, publicamente, o que a ex-professora disse às suas alunas na Unicamp.

“Eu sou apenas uma pessoa, uma mulher, uma cidadã que viu um debate e que se assustou, se indignou e colocou seu ponto de vista na internet. Ao ver Dilma dizendo que Mônica falou algo sobre ‘matar criancinhas’, duvidei.

“Duvidei porque fui sua aluna e compartilhei do que ela contou, publicamente (que havia feito um aborto), em sala de aula. Eu me disse que uma pessoa que divide sua dor sobre o aborto, sobre o exílio e sobre a ditadura, não diria nunca uma atrocidade dessas, mesmo sendo da oposição. Essa afirmação de ‘criancinhas assassinadas’ é do nível do ‘comunista come criancinha’. A Mônica Serra é mais classe do que isso (e, aliás, gosto muito dela, apesar do Serra não ser meu candidato).

“Por isso, deixei claro o meu posicionamento que o aborto não pode ser considerado um crime – como não é na Itália, na França e em outros países. Nesse sentido não quero ser usada como uma ‘denunciadora de um ‘delito’. Ao contrário, estou relembrando na internet, aos meus amigos de FB (Facebook), que o aborto é uma questão complexa que envolve a todos e que, como nos países decentes, não pode ser considerado um crime – mas deve ser enfrentado como assunto de saúde.

“O Brasil tem muitos assuntos a serem tratados, vamos tratá-los com o carinho e com a delicadeza que merece.

“Agora volto ao meu trabalho”, conclui Sheila o seu relato na página da rede social.

Sem resposta

Diante da afirmativa da ex-aluna de Sylvia Monica Serra, o Correio do Brasil procurou pelo candidato, no Twitter, às 23h57:

“@joseserra_ Sr. candidato Serra. Recebemos a informação de que Dnª Monica Serra teria feito um aborto. O sr. tem como repercutir isso?”

Da mesma forma, foi encaminhado um e-mail à assessoria de imprensa e, posteriormente, um contato telefônico com o comitê de Serra, em São Paulo. Até o fechamento desta matéria, às 1239h desta quarta-feira, porém, não houve qualquer resposta à pergunta. O candidato, a exemplo do debate com a candidata petista, novamente optou pelo silêncio.

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http://www.participabr.com.br/noticias/entry/paulo-preto-o-assessor-que-levou-4-milhoes-do-caixa-de-serra/

PAULO PRETO: O ASSESSOR QUE LEVOU 4 MILHÕES DO CAIXA DE SERRA

10.10.2010

Um tucano bom de bico

Quem é e como agia o engenheiro Paulo Vieira de Souza, acusado por líderes do PSDB de ter arrecadado dinheiro de empresários em nome do partido e não entregá-lo para o caixa da campanha

Sérgio Pardellas e Claudio Dantas Sequeira

Nas últimas semanas, o engenheiro Paulo Vieira de Souza tem sido a principal dor de cabeça da cúpula tucana. Segundo oito dos principais líderes e parlamentares do PSDB ouvidos por ISTOÉ, Souza, também conhecido como Paulo Preto ou Negão, teria arrecadado pelo menos R$ 4 milhões para as campanhas eleitorais de 2010, mas os recursos não chegaram ao caixa do comitê do presidenciável José Serra.

Como se trata de dinheiro sem origem declarada, o partido não tem sequer como mover um processo judicial. “Ele arrecadou por conta própria, sem autorização do partido. Não autorizamos ninguém a receber dinheiro de caixa 2. As únicas pessoas autorizadas a atuar em nome do partido na arrecadação são o José Gregori e o Sérgio Freitas”, afirma o ex-ministro Eduardo Jorge, vice-presidente nacional do PSDB. “Não podemos calcular exatamente quanto o Paulo Preto conseguiu arrecadar.

Sabemos que foi no mínimo R$ 4 milhões, obtidos principalmente com grandes empreiteiras, e que esse dinheiro está fazendo falta nas campanhas regionais”, confirma um ex-secretário do governo paulista que ocupa lugar estratégico na campanha de José Serra à Presidência.

Segundo dois dirigentes do primeiro escalão do partido, o engenheiro arrecadou “antes e depois de definidos os candidatos tucanos às sucessões nacional e estadual”.

Os R$ 4 milhões seriam referentes apenas ao valor arrecadado antes do lançamento oficial das candidaturas, o que impede que a dinheirama seja declarada, tanto pelo partido como pelos doadores. “Essa arrecadação foi puramente pessoal. Mas só faz isso quem tem poder de interferir em alguma coisa. Poder, infelizmente, ele tinha. Às vezes, os governantes delegam poder para as pessoas erradas”, afirmou à ISTOÉ Evandro Losacco, membro da Executiva do PSDB e tesoureiro-adjunto do partido, na quarta-feira 11.

O suposto desvio de recursos que o engenheiro teria promovido nos cofres da campanha tucana foi descoberto na segunda-feira 2. Os responsáveis pelo comitê financeiro da campanha de Serra à Presidência reuniram-se em São Paulo a fim de fechar a primeira parcial de arrecadação, que seria declarada no dia seguinte à Justiça Eleitoral.

Levaram um susto quando notaram que a planilha de doações informava um montante muito aquém das expectativas do PSDB e do esforço empenhado pelos tucanos junto aos doadores: apenas R$ 3,6 milhões, o equivalente a um terço do montante arrecadado pela candidata do PT, Dilma Rousseff. Ciosos de seu bom trânsito com o empresariado, expoentes do PSDB não imaginavam ter recolhido tão pouco. Sinal de alerta aceso, deflagrou-se, então, um processo de consulta informal às empresas que já haviam se comprometido a contribuir.

O trabalho de checagem contou com a participação do tesoureiro José Gregori e até do candidato José Serra e logo veio a conclusão: Paulo Preto teria coletado mais de R$ 4 milhões, mas nenhum centavo foi destinado aos cofres do partido, oficialmente ou não. Iniciava ali o enredo de uma história nebulosa com potencial para atingir o seio do PSDB às vésperas das eleições presidenciais.

“Além de representar uma quantia maior do que a arrecadada oficialmente até agora, o desfalque poderá atrapalhar ainda mais o fluxo de caixa da campanha”, explica um tucano de alta plumagem, que já disputou quatro eleições pelo partido.

Segundo ele, muitas vezes as grandes empreiteiras não têm como negar contribuições financeiras, mas, nesse caso, ganharam um forte argumento: basta dizer que já contribuíram através do engenheiro, ainda que não o tenham feito. Até abril, Paulo Preto ocupou posição estratégica na administração tucana do Estado de São Paulo.

Ele atuou como diretor de engenharia da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A), estatal paulista responsável por algumas das principais obras viárias do País, entre elas o Rodoanel, empreendimento de mais de R$ 5 bilhões, e a ampliação da marginal Tietê, orçada em R$ 1,5 bilhão – ambas verdadeiros cartões-postais das campanhas do partido.

No caso do Rodoanel, segundo um dirigente do PSDB de São Paulo, cabia a Paulo Preto fazer o pagamento às empreiteiras, bem como coordenar as medições das obras, o que, por força de contrato, determina quanto a ser pago às construtoras e quando. No Diretório Estadual do partido, nove entre dez tucanos apontam a construção do eixo sul do Rodoanel como a principal fonte de receita de Paulo Preto.

Outro político ligado ao Diretório Nacional do PSDB explica que a função do engenheiro na Dersa aproximou Paulo Preto de empreiteiras como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, OAS, Mendes Júnior, Carioca e Engevix. Losacco, um dos coordenadores das campanhas de Serra e de Geraldo Alckmin em 2006, afirma que o elo principal de Paulo Preto com o PSDB é Aloysio Nunes Ferreira, ex-secretário da Casa Civil de Serra e atual candidato do partido ao Senado por São Paulo. O próprio engenheiro confirma uma amizade de mais de 20 anos com Aloysio (leia entrevista abaixo).

De acordo com um importante quadro do PSDB paulista, desde 2008 Paulo Preto estava “passando o chapéu” visando ao financiamento da pré-candidatura de Aloysio ao governo do Estado. “Não fizemos nenhuma doação irregular, mas o engenheiro Paulo foi apresentado como o ‘interlocutor’ do Aloysio junto aos empresários”, disse à ISTOÉ o diretor de uma das empreiteiras responsáveis por obras de remoção de terras no eixo sul do Rodoanel.

Geraldo Alckmin acabou se impondo e obtendo a legenda para disputar o governo estadual, mas até a convenção do partido, em junho, a candidatura de Aloysio era considerada uma forte alternativa tucana, pois contava com o apoio do então governador José Serra e da maioria dos secretários. O engenheiro, segundo um membro da Executiva Nacional do partido, agia às claras junto a empresários e a prefeitos do interior de São Paulo.

Falastrão, contava vantagens aos companheiros e nos corredores do Palácio dos Bandeirantes. Prometia mundos e fundos num futuro governo Aloysio. E quando Aloysio deixou a Casa Civil de Serra, muitos passaram a torcer por sua exoneração, o que aconteceu sob a batuta do governador Alberto Goldman. Losacco, que foi secretário-geral do PSDB paulista até 2007, afirma que desde 2008 alertava a cúpula do partido sobre os movimentos de Paulo Vieira na Dersa. “Esse tipo de pessoa existe na administração pública. Tem a facilidade de achacar e não tem o menor controle.

Todo mundo já sabia há muito tempo disso”, conta o dirigente tucano. Diante desses alarmes, a cúpula do partido chegou a cogitar a saída dele da estatal rodoviária há mais de um ano. Mas recuou. “O motivo (do recuo) eu não sei. Deve ter um motivo. Mas no governo às vezes você não consegue fazer tudo o que você quer. Você tem contingências que o obrigam a engolir sapo. E eu acho que esse deve ter sido o caso. Agora, de alguma maneira essa coisa toda vai ter que ser apurada.

Sabemos da seriedade que o governo tem, mas infelizmente fica sujeito a esse tipo de gente”, acrescentou Losacco. Segundo o tesoureiro-adjunto do PSDB, o empresário acaba cedendo, pois “entende que o cara tem a caneta e que pode atrapalhar os negócios”. Os motivos que teriam levado Paulo Preto a dar o calote no PSDB ainda estão envoltos em mistério. Mas, entre os tucanos, circula a versão de que o partido teria uma dívida com o engenheiro contraída em eleições passadas. Na entrevista concedida à ISTOÉ, Paulo Preto nega que tenha feito qualquer tipo de arrecadação e desafia os caciques tucanos a provar essas denúncias. “Acho muito pouco provável que isso tenha acontecido sem que eu soubesse”, disse Aloysio à ISTOÉ. “Não posso falar sobre uma coisa que não existiu, que é uma infâmia”, completou.

No PSDB, porém, todos pelo menos já ouviram comentários sobre o suposto desvio praticado por Paulo Preto nos cofres tucanos. “Fiquei sabendo da história desse cara ontem”, disse o deputado José Aníbal (SP), ex-líder do partido na Câmara, na terça-feira 10. “Parece mesmo que ele sumiu. Desapareceu. Me falaram que ele foi para a Europa. Vi esse cara na inauguração do Rodoanel.”

De fato, depois de deixar a Dersa, o engenheiro esteve na Espanha e só voltou ao Brasil há poucos dias. Na cúpula do PSDB, porém, até a semana passada poucos sabiam que Paulo Preto havia retornado e o tratavam como “desaparecido”. As relações de Aloysio e Paulo Preto são antigas e extrapolam a questão política. Em 2007, familiares do engenheiro fizeram um empréstimo de R$ 300 mil para Aloysio.

No final do ano passado, o ex-chefe da Casa Civil afirmou que usou o dinheiro para pagar parte do apartamento adquirido no bairro de Higienópolis e que tudo já foi quitado. Apontado como um profissional competente e principal responsável pela antecipação da inauguração do rodoanel, Paulo Vieira de Souza chegou a ser premiado pelo Instituto de Engenharia de São Paulo em dezembro de 2009. O engenheiro não é filiado ao PSDB, mas tem uma história profissional ligada ao setor público e há 11 anos ocupa cargos de confiança nos governos tucanos.

No segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi assessor especial da Presidência e trabalhou quatro anos no Palácio do Planalto, como coordenador do Programa Brasil Empreendedor. Em São Paulo, também atuou na linha 4 do Metrô e na avenida Jacu Pêssego, ambas obras de grande porte e também cartões-postais das campanhas tucanas, a exemplo do rodoanel e da marginal Tietê. Paulo Preto foi exonerado da Dersa oito dias depois de participar da festa de inauguração do Rodoanel, ao lado dos principais líderes do partido. A portaria, publicada no “Diário Oficial” em 21 de abril, não explica os motivos da demissão do engenheiro, mas deputados tucanos ouvidos por ISTOÉ asseguram que foi uma medida preventiva.

O nome do engenheiro está registrado em uma série de documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a chamada Operação Castelo de Areia, que investigou a construtora Camargo Corrêa entre 2008 e 2009. No inquérito estão planilhas que listam valores que teriam sido pagos pela construtora ao engenheiro. Seriam pelo menos quatro pagamentos de R$ 416,5 mil entre dezembro de 2007 e março do ano seguinte. Apesar de o relatório de inteligência da PF citar o nome do engenheiro inúmeras vezes, Paulo Preto não foi indiciado e, em janeiro, o inquérito da Operação Castelo de Areia foi suspenso por causa de uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça.

O temor dos tucanos é que durante a campanha eleitoral a liminar seja suspensa e a Operação Castelo de Areia volte ao noticiário. Outro episódio envolvendo o ex-diretor da Dersa foi sua prisão em flagrante, em junho deste ano, na loja de artigos de luxo Gucci do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Solto um dia depois, ele passou a responder em liberdade à acusação de receptar um bracelete de brilhantes avaliado em R$ 20 mil. Paulo Preto e o joalheiro Musab Fatayer foram à loja para avaliar o bracelete, que pretendiam negociar. Desconfiado da origem da joia, o gerente da loja, Igor Augusto Pereira, pediu para que o engenheiro e Fatayer aguardassem.

Ao cruzar informações sobre o bracelete negociado, o gerente da Gucci descobriu que aquela joia havia sido furtada da loja em 7 de maio. Em seu depoimento, o gerente da Gucci disse para a polícia que foi Paulo Preto quem entregou o bracelete para que ele o avaliasse. O ex-diretor da Dersa alegou ter recebido a joia de Fatayer e que estava disposto a pagar R$ 20 mil por ela. O eventual prejuízo provocado por Paulo Preto pode não se resumir ao caixa da campanha. Um dos desafios imediatos da cúpula tucana é evitar que haja também uma debandada de aliados políticos, que pressionam o comando da campanha em busca de recursos para candidaturas regionais e proporcionais. Além disso, é preciso reconquistar a confiança de eventuais doadores, que se tornarão mais reticentes diante dos arrecadadores do partido.

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“Gente como eu tem prazo de validade”

Por Delmo Moreira

Aos 62 anos, Paulo Vieira de Souza está em plena forma. Ele é triatleta, já disputou 40 maratonas, nove ironman (modalidade que junta ciclismo, natação e corrida), 35 meia-ironman e duas ultramaratonas (prova com percurso superior a 42 quilômetros).

Desde que foi exonerado da Dersa, em abril, acelerou seus treinos físicos para disputar, em Florianópolis, as provas seletivas para o Ironman mundial, que será realizado no Havaí. “Só fora do governo para fazer um treinamento desses”, diz ele. Mas está confiante: “Pela minha personalidade, não tenho medo de dizer: vou ganhar essa porra.” Este estilo direto de falar, segundo Souza, é responsável pelos problemas que vem colecionando: “Pareço arrogante e por isso incomodo muita gente.” Souza é suspeito de levar propina de empreiteiras, foi envolvido no estranho caso da compra de uma joia possivelmente roubada e acabou acusado de desviar recursos da campanha tucana à Presidência da República.

Ele refutou todas essas acusações numa conversa de quase uma hora com ISTOÉ. A seguir, os principais trechos da entrevista:

ISTOÉ – O sr. é apontado como responsável pelo desvio de recursos arrecadados para a campanha do PSDB. O que o sr. tem a dizer sobre isto?

Paulo Vieira de Souza – Tem gente dizendo que sou responsável, mas desafio qualquer um a mostrar que tive qualquer atitude, em qualquer campanha em andamento, que coloquei o pé em alguma empresa, que pedi a alguém alguma coisa. Eles estão em campanha. Querem me eleger como bode expiatório porque estou fora. Mas eu não serei. Nunca trabalhei para a campanha deles.

ISTOÉ – Por que seu nome aparece no caso, então?

Souza – Empresário só ajuda quem ele quer. Acho que tem alguém querendo R$ 4 milhões de ajuda e não está conseguindo. Acho que alguém não foi atendido. Isto é uma briga interna do partido. Nunca fiz parte do PSDB e nunca farei.

ISTOÉ – O sr. nunca foi arrecadador do partido?

Souza – Nunca arrecadei. Não sei nem onde fica o comitê de campanha. Querem dizer que sou maluco? Que apareçam para dizer.

ISTOÉ – Mas o sr. já participou de campanhas políticas do PSDB.

Souza – Da campanha do Aloysio (Aloysio Nunes Ferreira Filho) eu participei. Mas não na gestão. Eu participava da logística, da compra de material, de impressos, da distribuição de material. Eu sempre fiz parte da logística das campanhas dele.

ISTOÉ – Qual é o seu relacionamento com Aloysio?

Souza – Sou amigo pessoal do Aloysio há 21 anos. Amigo de família mesmo. Ele conhece minhas filhas desde pequenas. E eu sempre ajudei como podia o Aloysio nas campanhas.

ISTOÉ – O sr. ainda é amigo do Aloysio?

Souza – Sempre.

ISTOÉ – Vocês ainda se falam?

Souza – Sempre.

ISTOÉ – Qual foi a última vez que o sr. o encontrou?

Souza – Foi hoje (quarta-feira 11) pela manhã. Ele ia fazer a gravação do programa dele à tarde ou à noite. Meu relacionamento no governo do Estado sempre foi com o Aloysio e com o Luna, o secretário do Planejamento, que era o coordenador dos convênios entre Estado e prefeitura. Sou amigo pessoal do Aloysio e isso não vou negar nunca. Não sei o que ele vai falar. Mas sou amigo pessoal dele. Só não estou na campanha agora porque pedi para não participar. Não queria dar nenhum problema, em função daquele caso recente que aconteceu comigo.

ISTOÉ – O sr. está sendo processado como receptador de joias roubadas?

Souza – Jamais eu compraria alguma coisa roubada. Só ainda não dei a minha versão porque não tranquei o processo, que está entrando agora em juízo, com minha defesa. Depois vou falar. A tese é de receptação, mas eu não comprei. Por isso é que fui na Gucci. Alguém que quer vender joia roubada vai lá? Eu levei uma joia para verificar a autenticidade e o valor. Agora, você vai comprar um carro, o carro tem problema e você acaba preso? É uma aberração. Eu não fui preso no Iguatemi. O “Estadão” também diz que eu estava vendendo a joia. É mentira.

ISTOÉ – O seu nome também aparece na investigação da operação Castelo de Areia, da PF, sob acusação de receber propina da construtora Camargo Corrêa. Foi outro engano? Não é muito azar?

Souza – Eu não sei como colocaram meu nome lá, com que propósito ou baseado em quê. Vi que tem uma lista de ajuda política, para deputado estadual, federal. Tem até o Carvalho Pinto! Vi que colocaram meu nome na lista: Paulo de Souza, coordenador do Rodoanel. Acho que adotaram um critério dentro da Camargo Corrêa de colocar o nome dos coordenadores relacionados a cada obra.

ISTOÉ – Ao lado de seu nome aparecem valores: quatro parcelas de R$ 416 ,5 mil em quatro datas seguidas. O que são esses valores?

Souza – Não sei. A mim nunca ninguém entregou absolutamente nada. O lote da Camargo Corrêa na obra era de R$ 700 milhões e a obra foi entregue no prazo, só com 6,52% de acréscimo. É o menor aditivo que já houve em obra pública no Brasil. Se isso desagradou a alguém, não sei.

ISTOÉ – Por que o sr. saiu da Dersa?

Souza – Eu fui exonerado pelo atual governador no dia 9 de abril. Até hoje não me informaram o motivo. Minha exoneração foi uma decisão de governo. Eu não pedi as contas.

ISTOÉ – O sr. nem imagina as razões de sua exoneração?

Souza – Acho que tem a ver com a forma como sempre agi nesses cinco anos em que trabalhei no governo. Tem a ver com meu estilo. Sou de tomar atitudes, de decisão, de falar o que penso. Fui premiado por meu trabalho como gestor público. Eu criei muito ciúme no governo.

ISTOÉ – Quem tinha ciúme do sr.?

Souza – Acho que pessoas como eu têm prazo de validade. O Rodoanel foi a primeira obra pública que tinha dia e hora para terminar. É meu estilo de gestão e nem todo governante gosta desta forma de agir. Na engenharia da Dersa quem mandou fui eu. Não sou mais uma jovem promessa. Sou uma ameaça para os incompetentes.

Fonte: Revista Istoé

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http://www.viomundo.com.br/politica/a-capa-da-folha-no-dia-em-que-a-petrobras-mudou-de-nome.html

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http://www.revistaforum.com.br/noticias/2010/10/14/privatizacoes_o_debate_que_o_psdb_nao_quer_fazer/

Privatizações: o debate que o PSDB não quer fazer

No último debate e também nos dias que seguiram, a campanha de Serra vem tentando a todo custo evitar discutir um tema essencial para o Brasil, mas que os tucanos, pelo que fizeram no passado – e ainda fazem – teimam em negar que seja relevante: as privatizações. Na prática, tal tema é revelador de como o PSDB atua no comando de um governo.

Por Glauco Faria
[14 de outubro de 2010 – 17h38]
No último debate e também nos dias que seguiram, a campanha de Serra vem tentando a todo custo evitar discutir um tema essencial para o Brasil, mas que os tucanos, pelo que fizeram no passado – e ainda fazem – teimam em negar que seja relevante: as privatizações. Na prática, tal tema é revelador de como o PSDB atua no comando de um governo e não diz respeito apenas a empresas que foram e outras que ainda podem ser entregues à iniciativa privada, mas sim à própria concepção de Estado que cada um dos projetos que se enfrenta no segundo turno das eleições presidenciais representa. 

Tive oportunidade de discutir o assunto ao escrever o livro O governo Lula e o novo papel do Estado Brasileiro(disponível para download aqui), realizado a partir de uma oficina de debates feita em setembro de 2009, além de pesquisas posteriores. A partir daí, é possível demarcar algumas importantes diferenças tomando como base o que Serra disse no debate, tentando igualar a conduta tucana à petista no tocante às privatizações.

Segundo o presidenciável do PSDB, o governo Lula não reestatizou nenhuma empresa privatizada e “também privatizou”. Desnecessário dizer como a argumentação é pueril. Primeiro porque reestatizar uma empresa não é uma tarefa trivial, nem do ponto de vista jurídico, e pode ser também bem pouco interessante do ponto de vista político-econômico. Quanto a empresas privatizadas, é bom recordar que quando Lula assumiu, muitas estavam já no Plano Nacional de Desestatização (PND), postas nessa condição pelo governo tucano, e a maioria em situação quase falimentar por absoluta falta de investimentos. Algumas puderam ser recuperadas e saíram do PND, outras não.

De uma maneira geral, o programa de privatizações foi paralisado, ainda que concessões de rodovias tenham sido feitas, por exemplo, mas em bases distintas das realizadas na gestão do PSDB. Houve uma reorientação do papel do Estado, com resgate do planejamento de longo prazo e maior participação estatal em todas as áreas de atividades, algo fundamental para se promover o desenvolvimento econômico e social do país. Nas palavras de Marcio Pochmann, presidente do Ipea, o país reverteu o modelo de Estado Predatório que imperou durante o governo FHC (que deu continuidade, na prática, às iniciativas privatistas do governo Collor) e adotou um modelo de atuação estatal social-desenvolvimentista.

E remodelar essa atuação, no que diz respeito às estatais, não foi tarefa fácil. Aqui, destaco um trecho literal do livro que descreve como o governo tucano agia em relação as empresas da sua área:

Para o ex-diretor do Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais (DEST), Eduardo Carnos Scaletsky, o governo FHC trabalhava com quatro linhas de ação claras nessa área. A primeira era a fragmentação de atividades das estatais, como no caso da Eletrobrás, com a separação das funções de transmissão, geração e distribuição de energia; no setor das instituições financeiras, a tal fragmentação também foi feita com vistas a reduzir o valor patrimonial e possibilitar ou facilitar a sua venda nos leilões de privatização.

O segundo fator era a descapitalização das empresas, com o governo retirando mais dividendos do que normalmente fazia, combinando-se uma terceira linha de ação, a estagnação dos investimentos. A essas práticas somava-se a redução de pessoal, com um processo de terceirização nítido. Como exemplo, Scaletsky cita o fato de a Caixa Econômica Federal (CEF), em dado momento, ter quase 40 mil terceirizados em um quadro de cerca de 70 mil pessoas. Nesse caso específico, não se terceirizavam os serviços, mas sim o quadro de pessoal, já que não eram realizados concursos públicos e não havia interesse na manutenção dos funcionários.

Ou seja, esse era o legado que o governo Lula teve de lidar quando assumiu o governo em 2003. E foi preciso superar uma cultura neoliberal que mesmo em algumas estatais estava enraizada. Não se percebia que as empresas deveriam também cumprir a função de colaborar com políticas de desenvolvimento para o país, sem prejuízo de seu resultado econômico.

Foi essa mudança promovida que permitiu que as estatais e os bancos públicos, fortalecidos, pudessem ser instrumentos poderosos da política anticíclica do governo na superação da crise econômico-financeira. FHC, que enfrentou duas crise de menor impacto, não conseguiu superá-las com a mesma desenvoltura, e o apagão, como será destacado no próximo artigo dessa série sobre o papel do Estado, também é fruto dessa visão estreita e privatizante.

O que ocorreu nos últimos oito anos, portanto, foi o estabelecimento de um modelo social-desenvolvimentista, retomando Pochmann, distinto daquele desenvolvimentismo que não se preocupava com a sustentabilidade econômica das empresas do Estado, observado nos anos 70 quando as estatais foram levadas a um brutal endividamento para ajudar no fechamento do balanço de pagamentos do país. Tal situação, aliás, abriu caminho para que na na década de 1980 houvesse um desempenho pífio das estatais, desancadas pela mídia comercial e, no decênio seguinte, facilitasse o processo de privatizações.

O PSDB pode até não querer debater o assunto, e motivos tem para isso. Mas esse está longe de ser um debate secundário.

Imagem: Reprodução/Maria Fro.

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http://www.viomundo.com.br/politica/assessor-de-serra-quer-mudar-modelo-de-exploracao-do-pre-sal.html

6 de outubro de 2010 às 13:17

Assessor de Serra quer mudar modelo de exploração do pré-sal

Assessor sugere modelo antigo para pré-sal

Juliana Ennes | VALOR ECONÔMICO

David Zylberstajn, assessor técnico para a área de energia da campanha do candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse ontem que aconselha o candidato a desistir da proposta do atual governo de modificar o modelo de concessão de campos de petróleo para o modelo de partilha, no caso dos blocos do pré-sal.

Ele lembrou, no entanto, que o custo político da decisão é somente o candidato quem pode avaliar e é isso que deve nortear a decisão final de se adotar ou não o modelo de partilha no pré-sal.

“A minha opinião é pelo lado técnico, mas dentro do contexto político eu não sei. Eu aconselharia a deixar o que está funcionando bem do jeito que está. Se houvesse justificativa para mudar, tudo bem”, disse Zylberstajn.

O presidente da DZ Negócios com Energia e ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP) acredita que o modelo proposto não traz benefícios para o governo em termos de arrecadação. Além do fato de o governo receber sua parte em petróleo, e não mais em dinheiro.

“Não há nenhuma conta que diga que esse sistema é mais vantajoso financeiramente para o governo. Eu, particularmente, acho que qualquer que seja o governo, ter uma estatal comprando e vendendo petróleo é uma janela para a corrupção. É um modelo completamente estapafúrdio”, disse.

O assessor de Serra acredita que o regime de concessões seja melhor não somente em termos de arrecadação, mas tem também a vantagem de antecipar o recebimento dos recursos. “Você tem o bônus de assinatura. No sistema de partilha, você só vai receber lá na frente. Depois de ter descontado o que gastou com o campo, vai receber sua parte em óleo, que vai ter que ser vendido. Isso só vai gerar alguma coisa lá na frente. Enquanto, hoje, se licitar um campo, o governo coloca dinheiro no Tesouro hoje mesmo”, disse.

Ele lembrou que a obrigatoriedade de que a Petrobras opere ao menos 30% de todos os blocos do pré-sal traz um grande risco. De um lado, para a própria companhia, que fica obrigada inclusive a ter como sócias empresas que ganharem a briga, independentemente do desejo de se fazer uma sociedade. E é também ruim para o país, que fica preso à capacidade da estatal de investir.

Zylberstajn disse que o Rio de Janeiro precisa tomar cuidado para não virar um importador de equipamentos industriais de São Paulo, devido à escassez de mão de obra, a problemas de infraestrutura, aos meios instituicionais e a eventuais incentivos fiscais.

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http://publico.pt/Mundo/lula-comprou-os-pobres-do-brasil_1462597?all=1

Entrevista com o escritor Ferreira Gullar, Prémio Camões 2010

“Lula comprou os pobres do Brasil”

25.10.2010 – 07:58 Por Alexandra Lucas Coelho, no Rio de Janeiro

O escritor Ferreira Gullar vota José Serra. Vê Dilma como “uma marionete” e Lula como um “ignorante”, “mentiroso”, com “fome de poder”, que é “a vergonha do Brasil”.

"Ele [Lula] nunca leu um livro", diz Ferreira Gullar“Ele [Lula] nunca leu um livro”, diz Ferreira Gullar (Foto: DR)

Aos 80 anos, Ferreira Gullar continua de cabeleira branca pelos ombros e mão enérgica a bater na mesa, quando sobe de tom, no seu apartamento cheio de livros e quadros, em Copacabana.
Parece tão em forma quanto está: “Não tenho nenhuma doença.”

Nascido em São Luís do Maranhão, Nordeste do Brasil, vive no Rio de Janeiro desde os 21 anos. Foi comunista filiado, lutou contra a ditadura, esteve preso. Tem uma longa e variada bibliografia, com destaque para a poesia. Recebeu este ano o Prémio Camões, o mais importante da língua portuguesa.

A conversa começou exaltada e terminou amena. Ferreira Gullar explicou depois que tivera umas conversas políticas que o tinham irritado. E mais para o fim da entrevista dirá, meditativo: “Possivelmente nós vamos perder a eleição.”
A campanha ferve.

Publicou um texto chamado “Vamos errar de novo?”, a apelar ao voto em José Serra. Não faz parte de nenhum partido. Porque sentiu necessidade de intervir?

Como cidadão, não só tenho o direito como o dever. Sempre participei politicamente.

É uma eleição bastante importante. Pode significar uma mudança para o país e ter consequências sérias.

Há quem ache o contrário, que nada de essencial se vai alterar, seja quem for que ganhe.

[Batendo com a mão na mesa] A permanência do PT no poder é uma ameaça à democracia brasileira. Está vendo o que acabou de acontecer? Espancando o Serra!

Foi um rolo de papel [atirado à cabeça de Serra num passeio de campanha].

Ah, não, isso é o que o Lula diz. Não acredito no Lula, é um mentiroso.

A campanha de Serra é que diz que foi um rolo de autocolantes de campanha.

Um rolo pesado. E uma repórter da “Globo” levou uma pedrada na cabeça. Mas não importa o que foi. Não tem que agredir os outros.

Acha que é um sintoma de como a campanha está?

Não, o PT é isto. A televisão mostrou um vídeo [dos anos 90] com José Dirceu, então presidente do PT, dizendo: “Esses nossos adversários vão ter de apanhar na rua e nas urnas.” O que é que acha disso? Apanhar nas ruas faz parte da campanha? Eles espancam as pessoas. Eles espancaram duas vezes o Mário Covas [governador de São Paulo nos anos 90, já desaparecido, fundador do PSDB]. O PT é fascista.

A Dilma também ia apanhando com sacos de água. A minha pergunta…

O PSDB se caracteriza por ser um partido pacífico. Não é que sejam santos. É que não é o estilo deles. No caso do PT, não. O PT é isto. Vem dos sindicatos, que são dominados por gangues. O Lula pertencia a um deles. São gangues, que ocupam as instituições, a máquina do Estado. A Petrobras hoje está infiltrada de gente do PT e dos sindicatos.

Em relação ao currículo do Serra, o senhor cita a criação dos genéricos, o plano de tratamento da sida. Exemplos de currículo como ministro da Saúde, como ele foi no governo Fernando Henrique. Por que acha que ele daria um bom presidente?

Porque foi um excelente governador em São Paulo. As obras dele no plano social, da saúde, da educação, comprovam que é um homem responsável e um administrador efectivo. Como prefeito, a mesma coisa. Agora, a Dilma, sabe de alguma coisa que ela fez?

Todo o mundo conhece o José Serra no Brasil. Ele tem quase 50 anos de vida pública, e nunca foi acusado de ser corrupto, safado, de se apropriar de dinheiro público, de entrar em falcatruas. Será que isso não é um crédito?

Maria da Conceição Tavares [ver entrevista online], que conhece muito bem Serra desde o exílio no Chile, diz que ele mudou para a direita. Como comenta isto?

Queria só que ela me explicasse se ela é de esquerda. Porque, veja bem, o Lula é aliado do Collor [de Melo]. Ele é de esquerda? Por acaso a campanha deles é de esquerda? Aliado com Collor, aliado com o bispo [Marcelo] Crivella, que é um safado, braço direito do bispo [Edir] Macedo, que enriqueceu com o dinheiro das empregadas domésticas, criando a Igreja Evangélica do Reino de Deus. Acha que isso é esquerda?Estou a pedir-lhe um comentário em relação ao que Maria da Conceição Tavares disse sobre Serra.

A Conceição Tavares afirmar que o Serra é de direita supõe que a Dilma é de esquerda. Então eu estou dizendo quais são os aliados da Dilma.

Acha que a Dilma não é de esquerda?

A Dilma de esquerda? Mas o PT não é de esquerda. É um partido corrupto. O PT de esquerda já acabou há muito.
O comunismo chegou ao fim. Nós todos, que participámos dessa aventura, somos obrigados a reconhecer isso. Cumpriu a sua tarefa, mudou o mundo, a relação de trabalho, as conquistas dos trabalhadores, tudo foi consequência de uma luta que começou com o Manifesto Comunista, de 1848. E esgotou a sua tarefa. Então se acabou a URSS, alguém sonha que vai fazer socialismo no Brasil? Só piada. Só o Hugo Chávez.

Não é isso que Lula e Dilma propõem.

Estou abrangendo a coisa de maneira ampla. Porque é que as FARC [guerrilha colombiana] viraram uma organização de narcotráfico? Porque não têm mais perspectiva. Vai fazer revolução na Colômbia? Socialismo? Acabou na URSS, acabou na China e vai começar na Colômbia?

Sempre que se fala no Serra, as pessoas acabam a falar do Lula, e eu queria falar um pouco do Serra.

Se a Maria da Conceição disse que ele era de direita, estou mostrando que isso é uma bobagem. Eu conheço a Maria da Conceição, é minha amiga. E ela própria não é de esquerda, porque ninguém é mais de esquerda! Acabou isso, gente.

Acha que já nem existe esquerda?

Lutámos pela reforma agrária, pelas conquistas dos trabalhadores. Alguém hoje é contra a reforma agrária no Brasil? Como vai distinguir direita de esquerda? Essa diferença só existe na cabeça da Conceição Tavares e de algumas outras pessoas.

Falei com pessoas que iam votar Serra mas ficaram desapontadas com a discussão em torno do aborto. Acharam que o PSDB e Serra não a deviam ter levado naquela direcção, tornando-a religiosa, ao tentarem pôr em causa a eventual contradição de Dilma.

Essa questão do aborto não foi levantada pelo Serra. O problema real é o seguinte: o PT é a favor do aborto, a Dilma é a favor do aborto, eu sou a favor do aborto. O Serra tem a mesma posição. Agora, com a candidatura da Marina, os religiosos tomaram uma posição que ameaçava todos os candidatos. Então a Dilma tratou de tirar o corpo fora e o Serra também. Falaram: “Não, não quero perder o voto dos religiosos…”

É isso que pergunto, não foi tudo uma falsa discussão?

Você entregaria uma empresa sua para ela dirigir, sem ter tido qualquer experiência anterior?

Mas deixe-me perguntar-lhe…

[Ferreira Gullar zanga-se por estar a ser interrompido e propõe acabar a entrevista. Acabamos por retomar no ponto em que ele estava.]

Eu tenho uma empresa. Porque o meu tio me disse que Maria é competente, sem ela nunca ter gerenciado nada, vou entregar a ela? Não entrego. Compreende? Essa é a situação. Não estou dizendo que o Serra é perfeito. O Serra tem mais que mostrar do que ela. Eu tenho mais confiança nele porque ele tem trabalho feito, e ela nenhum! A Maria da Conceição e o Chico Buarque só votam nessa coisa porque têm nostalgia da esquerda! Têm de abrir a cabeça para um mundo novo! O comunismo já era, acabou! Sem contar que foi uma besteira. O que é que é Cuba? Eu defendi Cuba, fiz poemas sobre Cuba. É um fracasso completo! Como podem defender uma sociedade em que as pessoas não têm o direito de sair de lá? Em troca de quê? Terá por acaso riqueza lá? Não. É miséria, subdesenvolvimento económico e falta de liberdade. Eu não vou defender isso, meu Deus. Quero ter o direito, se acho que o país é uma merda, de sair daqui na hora que eu quiser. Compro uma passagem e vou para Lisboa! Agora! Não tenho de pedir licença a ninguém! E o Chico e a Maria da Conceição defendem isso! Que moral têm essas pessoas para defender alguma coisa justa? Aí fica o Serra de direita? É de direita porque não concorda com isso. Ser de esquerda é o quê? Achar que as pessoas não têm o direito de sair do seu país quando quiserem? É isso que é ser de esquerda? Isso é uma besteirada. Tem de acabar com essa conversa. Eles têm medo de serem chamados de direita. Eu não tenho. Porque eu não sou. Tenho a certeza absoluta da minha entrega a uma luta a favor das pessoas, de uma sociedade melhor. Não tenho de dar explicação a ninguém. Mas o Chico tem medo de parecer que é de direita. Problema deles.
Quando é que o Serra foi de direita? Um cara que teve de ser exilado, que lutou contra a ditadura, que sempre defendeu posições a favor de uma sociedade mais justa, medidas a favor das pessoas mais pobres, e tomou medidas efectivamente. Quando o Serra conseguiu introduzir os genéricos, a minha mãe, estava em São Luís do Maranhão, doente. E sabe o que é que o PT espalhou? Que o genérico era falso, que era só farinha e terra, não era remédio. Eu mandava dinheiro para comprar remédio para minha mãe, e falei: “Comprem genérico.” E o meu irmão falou: “Ah, não, genérico é terra. O PT já nos explicou.” Isso é o PT.O que achou do “show” de apoio a Dilma com Chico Buarque, Oscar Niemeyer, Leonardo Boff, no Teatro Casa Grande, aqui no Rio [segunda-feira passada]?

Campanha eleitoral. Hoje o Teatro Casagrande se chama Oi Casagrande, porque a empresa Oi mandou botar. Não tem mais nada a ver com aquele passado. Eu pertenci ao grupo que realmente lutou contra a ditadura, o Opinião. Nunca ficou rico. Fomos todos presos.

O senhor foi preso com o Gilberto Gil e o Caetano em 1968.

É. Mas o nosso teatro teve bomba lá dentro. E começou a lutar em Dezembro de 1964 [meses depois do golpe militar].

O senhor filia-se no Partido Comunista do Brasil no começo de 1964, não é?

Entrei no dia do golpe, 1 de Abril de 1964.

Toda a gente conhece o seu percurso contra a ditadura, e o percurso do Serra também. Mas vamos esquecer essa parte da direita e esquerda. Em relação à Dilma, o senhor diz que ela é uma desconhecida. Mas foi ministra…

Sem qualquer expressão. O que é que ela fez como ministra? Nada. Foi secretária no Rio Grande do Sul, e segundo a informação de lá foi um fracasso completo como administradora.

… e foi Chefe da Casa Civil de Lula, o que lhe dá um conhecimento de todo o governo.

Mas a Casa Civil é um orgão de assessoria do presidente. É técnico, não realiza nada. Quando diz: “Nós fizemos…” É tudo mentira, não fez nada. Não estou dizendo se é competente ou não, não sei. Agora, que fez, não fez.

Porque é que o senhor acha que é ela a candidata?

Porque o Lula quer voltar em 2014. E então botou uma marioneta. Uma pessoa que milita na política desde os 17 anos e nunca se candidatou: acha que é porquê? Nunca se candidatou a nada e vai-se candidatar a presidente da República porque o Lula inventou. Não foi iniciativa dela. Jamais se atreveria. O Lula fez as contas e viu que para voltar tinha de botar uma marionete. Se pusesse um cara como o Ciro Gomes [ex-candidato à presidencia, que depois foi ministro de Lula], não ia voltar, porque o Ciro ia se recandidatar.Acha que a estratégia do Lula é essa?

É. O Lula é a fome do poder. Transparece nele. É a arrogância. Como toda a pessoa ignorante, chega a um ponto e não tem autocrítica, não tem medida. Ele disse várias vezes que é o único presidente do Brasil em 500 anos. Porque veio do povo. Do povo veio também Fernandinho Beira-Mar, do povo vem qualquer coisa.

Para quem não sabe, Fernandinho Beira-Mar é um narcotraficante.

Um bandido, homicida, dos mais cruéis. Veio do povo. Mais povo que o Lula.
Então, tem de ver o que o cara fez. Ele nunca leu um livro. Acha que uma pessoa que nunca leu um livro pode conhecer o Brasil? Sabe do Brasil como? De orelha?

Que nunca leu um livro?

É. O Lula. Ele declarou, pessoalmente.

O senhor acredita nisso?

Ele declarou, em 1980. Disse: “Só leio jornal.” E depois declarou: “Nem jornal, porque vive me perseguindo.” Todo o mundo sabe que ele não lê. Foi deputado federal e não participou em nenhuma Comissão. Não fez nada. Não parou no Congresso, porque não aguenta. Ele não conhece leis, como é que vai ser deputado? Se vai fazer leis, tem de conhecer as leis que existem. E ele não lê, tem horror disso. Só faz política. Ganhou a eleição em 2002 e não saiu do palanque até hoje. Não é ele que administra o país. Ele só se reúne para saber se aquele projecto que o ministro tal está propondo prejudica a popularidade dele ou não. Se prejudica ele não quer saber qual é a consequência.

O senhor sempre o viu assim, ou houve algo que tenha mudado a sua visão?

Defendi a criação do PT quando o Partido Comunista, ao qual eu pertencia, era contra.

Mas em relação a ele? Li que o ouviu no Teatro Casa Grande e logo aí não gostou do tom.

Achei estranho as bobagens que disse. A primeira coisa foi que era contra a burguesia de Ipanema. Só que todas as pessoas que estavam ali, nós todos, éramos de Ipanema [ri]. Então não sabe nem do que está falando. Ele é o maior mentiroso que já conheci. Fala com uma arrogância inacreditável as maiores mentiras como se estivesse dizendo uma verdade sagrada. Ele é uma coisa especial, isso eu sou obrigado a reconhecer. Nunca vi alguém falar uma mentira com tanta convicção, com tanta paixão, sabendo que é mentira.

O Lula tem 80 por cento de aprovação. Como explica esta popularidade? Quer dizer que 80 por cento das pessoas estão enganadas?

Primeiro, ponho em dúvida o resultado da pesquisa. As últimas pesquisas davam a Dilma vitoriosa no primeiro turno. Davam que a Marinha tinha 10 por cento e teve 20 por cento. Então, pesquisa… E essa do Lula nunca foi testada. Não se sabe se isso é verdade. Que tem popularidade tem, mas o índice não sei.
O demagogo, que visa conquistar as pessoas, e com a veemência que ele tem, porque é de facto um orador convincente… Acho que é isso que explica [a popularidade].
Bolsa Família. Foi ele que criou? Chamava-se Bolsa Alimentação, criada pelo Serra, no governo Fernando Henrique. E o Lula foi para a televisão dizer que a Bolsa Alimentação transformava o trabalhador em mendigo. Era contra a Bolsa Família que então se chamava Bolsa Alimentação! Enquanto isso, o ministro da Educação criou a Bolsa Escola. O Lula veio, juntou as duas e botou o nome Bolsa Família. A base da estabilidade financeira do Brasil se chama Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT, orientado pelo Lula, votou contra na câmara e no congresso, perdeu nos dois, entrou com uma acção no Supremo para anular a lei. E até hoje essa acção está no Supremo. Essa lei impede que os prefeitos e governadores gastem além do que recolhem de imposto, porque isso tornava a inflacção do Brasil incontrolável. Com essa lei, acabou.
O PT foi contra tudo o que todos os governos fizeram: Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique. Tudo! Negaram-se a assinar a constituição em 1988!O senhor acha que isso significa o quê?

Que não têm responsabilidade com o país. São um grupo de demagogos que querem o poder e se opõem a tudo. Vêem em cada medida correcta uma ameaça ao futuro poder deles. Se tivessem conseguido anular a Lei da Responsabilidade Fiscal, anular o Plano Real, em que o Lula foi para a televisão dizer: “Isto é uma mentira eleitoral que não durará três meses.” Ele disse isto, todo o mundo sabe. É que o país não tem memória.
Se tivessem conseguido anular essas medidas, não haveria governo Lula, porque ele herdou e se apropriou de tudo o que foi feito antes, que ele combateu ferozmente!

PT e Lula dizem, por exemplo, que herdaram a dívida externa, que quando começaram a Bolsa Família a situação estava muito má, e que conseguiram dar a volta a isso. O Brasil passou a ser credor, em vez de devedor.

Escuta, o Fernando Henrique, com as medidas que tomou, acabou com a uma inflacção que chegava a dois mil por cento ao mês. Quando o Lula se apresentou candidato, contra todas essas coisas, evidentemente criou uma crise económica, porque todos os investidores estrangeiros tiraram o seu dinheiro, assustados com o que ia acontecer. Ele estava na frente, ia ser o presidente da República. A crise que se criou foi em função dele. Depois, quando escreveu a carta à nação brasileira em que dizia que abria mão de todas as coisas que tinha dito antes, e virou o Lulinha-Paz-e-Amor, aí as pessoas voltaram. Mas a inflacção já tinha sido deflagrada. Pouco tempo depois o equilíbrio voltou quando as pessoas perceberam que ele ia fazer o mesmo governo do Fernando Henrique.
Pegou o Bolsa Família, que atendia 4 milhões, e botou para 11 milhões. O que significa um terço da população brasileira. Ao juntar os dois programas tornou impossível fiscalizar de facto a realização. Todo o mundo sabe hoje que o sistema é: eu recebo Bolsa Família enquanto estou desempregado. O que é que os trabalhadores fazem? Se empregam e pedem para o patrão não assinar a carteira de trabalho. Então, ficam ganhando salário e bolsa. Como são 50 milhões não dá para fiscalizar.
Tem vários municípios no Maranhão em que ninguém trabalha. Vive todo o mundo do Bolsa Família.

O senhor que vem lá do Nordeste, a região mais pobre do Brasil, não é sensível ao facto do Lula ser o homem que tira uma fatia dos brasileiros da miséria e faz deles cidadãos, pessoas que podem ter uma conta no banco, que podem comprar uma geladeira [frigorífico]?

Exactamente porque conheço o Nordeste é que tenho um juízo diferente. Primeiro, no Nordeste ninguém passa fome. Todo o mundo tem um pedacinho de terra. Essa miséria que tem na cidade não tem no campo. A outra coisa é o que contei do remédio genérico. O que tem no Nordeste é falta de conhecimento, de informação e a propaganda que o PT faz. Onde há mais necessidade, e a pessoa ganhou o Bolsa Família, é claro que fica grata. Mas isso é a fonte do populismo. Porque é que o [Paulo] Maluf é votado em São Paulo até hoje, apesar de ser ladrão, comprovado? Porque deu casinhas para uma porção de gente. É o lema que se conhece no Brasil: “Rouba, mas faz.” Essa é a explicação para o Nordeste. Exactamente quem é mais miserável, qualquer coisa que dê ganha ele. Difícil é conquistar o cara que vive por sua conta. Difícil é conquistar a mim, que trabalho e vivo do meu dinheiro. Não me conquistam comprando, como o Lula comprou todos os pobres do Brasil. Por isso é que ele tem 80 por cento de aprovação. Ele comprou os pobres. Não tem preocupações de fiscalizar, e pôr em prática a natureza do programa, que é quando o cara conseguir trabalho sair do programa. Ele quer que tenha cada vez mais gente no programa. Ou seja, pessoas sem trabalho e dependentes da bondade dele. Não está precupado em resolver problema social nenhum.
O Lula é um esperto. Só pensa no poder dele. Foi para o Ahmadinejad fazer o quê? Um bandido. Um facínora. O cara que diz que não houve Holocausto. Que diz que o atentado das Torres Gémeas foi uma invenção dos americanos. Esse cara não tem qualificação de estadista. E o Lula trata ele como se fosse um estadista. Foi para lá achar que ia resolver o problema da pacificação, porque ele é doido. É megalomaníaco.O argumento de Lula e do PT é que ele está a tentar fazer a ponte entre Norte e Sul, Ocidente e Irão.

Veja o seguinte. Aquela luta dos palestinos lá, tem mais de 60 anos. Todos os estadistas do mundo tentaram resolver e não conseguiram. E o Lula vai conseguir, sem ter lido um livro? Realmente! Alguém acredita nisso? O Lula, que mal sabe quem é. Chega lá no Oriente, quando o Brasil não tem nada a ver com aquilo lá. Não está ligado efectivamente aquela parte do mundo. Demagogo. Para ter projecção internacional, porque ele é mega. Ele é a vergonha do Brasil. É uma vergonha.

Mas tem prestígio internacional. Como explica isso?

Tem prestígio na área que acha que operário é melhor. É a herança marxista que ficou. Hoje, todo o professor universitário acredita nisso. Operário é o salvador do mundo.

Estou a falar de governos. Ele tem prestígio entre governos.

Isso vem do facto do Brasil eleger um operário presidente da República. E as pessoas não têm conhecimento do que acontece aqui. Será que um redactor do “Le Monde” conhece o Brasil mais do que eu? Não conhece. Sabe de ouvir dizer. Há uma lenda em torno do Lula.
Alguém sabe o que aconteceu quando ele foi preso? Alguém leu a entrevista do César Benjamin, quando o Lula entrou na prisão, a primeira, única vez em que foi preso? [Põe uma voz de mânfio]: “Aqui não tem mulher? Como é que vai ser ‘trepar’ [ter sexo] aqui?” Foi a primeira pergunta dele ao ser preso. Isso é que é o Lula.
A Heloísa Helena, que foi do PT até há pouco tempo, nos contou: “Vocês não conhecem quem é o Lula, como ele trata as pessoas, nas reuniões.” [Ferreira Gullar projecta a voz]: “Ó seu ‘veado’ [maricas], quer parar de falar isso?’, “Cala a boca, ó ‘veado’. Filho da Puta.” É assim. Ele é isto. O Lula é essa grossura.
Outro dia passou um pequeno vídeo, ele com o governador do Rio, e um menino de favela. Não sei como, alguém com celular, filmou. [Lula falou] assim para o garotinho: “O que é que você gostaria de ser?” “Eu gostaria de ser tenista.” E o Lula: “Ó seu ‘veado’, ténis é coisa de burguesia!” Para o garoto!

Chamou “veado” ao garoto?

“Ténis é coisa de burguesia, cara!”

Mas chamou “veado”? [No vídeo, o que Lula diz ao garoto é: “Tenis é esporte da burguesia, pôrra.” Não o trata por “veado”.]Sei lá. Insultou o garoto. O que importa é que tratou o garoto como se fosse um adulto. O verdadeiro Lula é este.
A minha felicidade é que dentro de três meses ele sai da televisão e me deixa em paz. Pára de mentir.

É mesmo uma coisa violenta para si, essa relação com o Lula.

Porque ele mente sem parar. Eu amo o meu país e tenho horror a uma pessoa que fez com o Brasil o que ele fez. Ele é uma grande embromação. Tenho a certeza de que muita gente na Europa acha que o Lula é de facto o que muita gente acha que ele é. Mas eu sei o que ele é. A primeira coisa que fez aqui no Rio, depois das bobagens que disse sobre a burguesia no Teatro Casa Grande, foi transar a mulher de um burguês, amigo dele, burguês de esquerda, da alta aristocracia carioca. Virou amante dela numa semana. Esse é o Lula. Não tem nada a ver com classe operária, com coisa nenhuma. É um espertalhão.

A Maria da Conceição Tavares diz que hoje ele é um social-democrata.

Quem ensinou ao Lula isso? Foi ela? Porque ele não lê livro nenhum. Quem é que ensinou a social-democracia para ele? Ela está muito enganada com ele. O pessoal de esquerda não quer aceitar que isso acabou. Meu amigo Oscar [Niemeyer] não quer aceitar. O nosso querido Saramago não queria aceitar. É chato aceitar. Eu também vivi, me enganei, fui para o exílio. A diferença é que não posso me enganar a mim. Sou obrigado, doídamente, a reconhecer que acabou. Fui reler as coisas, e reconhecer o grande equívoco.
O Manifesto Comunista marca uma mudança radical na história da humanidade, contra um capitalismo selvagem, que tirava crianças de orfanato e as punha a trabalhar até morrerem. Trabalhador com 60 anos morria na sarjeta, não tinha aposentadoria. Não havia jornada de trabalho definida, não havia salário defenido. O Marx foi um homem de um grande carácter quando se revoltou contra isso, e mudou essa relação de capital e trabalho. Agora, a sociedade sonhada, depois da ditadura da burguesia, ditadura do proletariado nunca houve, e nunca, em governo algum, operário mandou em nada. Foi o partido que dirigiu a URSS, a China,é o partido que dirige Cuba.
Houve uma série de equívocos: quem cria riqueza é o trabalhador, e o outro explora a riqueza e não trabalha. É mentira. Sem empresário não existe trabalhador. O empresário é um intelectual empreendedor. E como nem tudo o mundo é romancista, é sociólogo, nem todo o mundo é empresário. Eu tenho um amigo que é empresário e ele não pára de trabalhar.

O senhor conversa com o seu amigo Oscar Niemeyer sobre isto?

Tenho muito respeito pelo Oscar. O Oscar é um génio da arquitectura, e é um ser humano especial. Generoso, afectuoso. Então eu não vou ficar brigando com ele. Mas ele sabe que eu discordo dele. A opinião dele sobre mim sabe qual é? “Gosto do Gullar porque ele é transparente.”

E com o Chico não se dá?

Gosto do Chico, admiro-o. Agora, o Chico é amigo do Lula, é amigo do Fidel. Ele não pode, nem que queira, mudar de opinião. Vai ter de brigar, se mudar. Mas eu sei que pela inteligência dele, pela sensibilidade dele, não pode estar de acordo com um país de que as pessoas não podem sair. Não acredito.
Eu posso ser suicida. Mas se estou em paz com a minha consciência pouco se me dá o que pensem. Posso estar errado. Se há uma coisa que me caracteriza é: eu não sou dono da verdade. Acredito nas coisas em que acredito. Mas acho que posso estar errado também. O meu compromisso é com a verdade. Não tenho compromisso ideológico coisa nenhuma. E meu compromisso com a poesia é com a qualidade, com a beleza. O resto é secundário. Se der, deu, se não der, não deu. Acabou. Vou morrer mesmo. Pouco se me dá. Nessa altura, 80 anos, estou-me lixando.

[Pausa hesitante]

Ia dizer alguma coisa?

Possivelmente nós vamos perder a eleição. Se as pesquisas estão certas, possivelmente vamos perder. Não é o fim do mundo. Depois da eleição começa o governo. Difícil não é ganhar eleição, difícil é governar.Acha que está difícil o Serra ganhar?

Acho. Não é impossível, mas com uma diferença de 10 por cento está difícil. Há um estudioso que diz que a definição é na última semana, mesmo.

Acha que o Serra era o melhor candidato do PSDB para derrotar a Dilma?

Olha, quando vi o nome dele, eu achei que era. Pelo que realizou. Eu estou perplexo. Não por causa de gente que foi de esquerda, como eu, que dá essas opiniões, como a da Conceição, que é uma pessoa inteligentíssima, minha amiga. Mas o povo, a pessoa que está fora disso, fico surpreso que esse pessoal não enxergue. Estão sendo injustos com uma pessoa que fez coisas importantes no país. Os genéricos, eu digo para você: os idosos brasileiros gastam fortunas comprando remédios, e hoje gastam menos de metade. Graças às medidas que o Serra tomou. Hoje você não vê mais a sida no Brasil como um flagelo porque todo o mundo se trata, graças às medidas que ele tomou. Tem remédios de graça, remédios caríssimos. O que ele fez em relação ao ensino, botando duas professoras por classe, discutindo, com especialistas. Todas as coisas que fez são de uma pessoa responsável. E contra ele está uma pessoa que não pode apresentar: “Eu fiz isto.”

Talvez tenha havido um problema de falta de carisma de José Serra…

Mas ela é horrível. O negócio dela é só o Lula.

Há um problema de carisma dos dois, Dilma e Serra.

Dos dois. Ele não tem nenhum.

A Marina era a única que tinha uma empatia com as pessoas.

Também não acho. A própria Marina, que é uma pessoa admirável, coerente, como figura tem uma fragilidade que não inspira confiança na maioria das pessoas. É um voto ideológico, um voto consciente, de qualidade. Mas entre a grande massa, jamais ela vai conseguir.

E imaginando que o Serra perde, quem é que vê ascender no PSDB? O Aécio [Neves, mineiro, neto do presidente Tancredo Neves]?

Sim. Escrevi um artigo dizendo que as duas forças políticas que nasceram da luta contra a ditadura, uma mais à esquerda, que era o PT, e outra, de esquerda moderada que era o PSDB, concluem agora o seu ciclo. O PSDB cumpriu grande parte da sua função com o governo Fernando Henrique. Se o Serra for eleito, tem uma vida extra. Mas os outros que constituem o partido não têm a mesma cabeça. Algo acabou. E o PT, que teve a sua história, também acabou. Virou o partido dos glutões, populista, que não tem nada a ver com o que era. Então essas duas forças nascidas da luta contra a ditadura chegam ao fim.
O que vai acontecer daqui para a frente talvez seja mais política sem ideologia. Por exemplo, o Aécio não é ideológico. É um cara carismático, bom administrador. Mas não é o Fernando Henrique, não é o Lula, não é dessa geração, não foi para o exílio. Da mesma maneira o Sérgio Cabral [agora reeleito governador do Rio, ex-PSDB, e actualmente PMDB], que é um bom administrador. Eles não têm a marca daquela vivência doída que nós tivemos. Talvez até seja bom para o Brasil.

Pós-ideológico?

É. Sem idealismo. A coisa prática. Acho que é isso que o Brasil vai viver daqui para a frente. Acabou a ideologia.

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